Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

TUDO ISTO EXISTE / TUDO ISTO É TRISTE / TUDO ISTO É FADO


«Soares lança livro, "mas não são memórias" - O antigo Presidente da República Mário Soares vai lançar o livro Um Político Assume-se - Ensaio político e Ideológico no próximo dia 30, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, anunciou ontem o próprio à agência Lusa. No final de uma entrevista, no seu gabinete na Fundação Mário Soares, na capital, o antigo Chefe do Estado mostrou apenas a capa e contracapa do livro, editado pela Temas & Debates, editora do Círculo de Leitores, que será também lançado no Porto, no dia 5 de Dezembro. O ensaio, cujo processo de escrita demorou mais de dois anos, "não são memórias", vincou Mário Soares, ironizando: "Há por aí quem quisesse que eu escrevesse as minhas memórias, mas não são memórias."»
Diário de Notícias, 10-XI-2011


Segundo a notícia Mário Soares, para satisfazer os seus admiradores, fez-lhes a surpresa escrevendo-lhes um livro, mas desde logo avisando-os que não é de memórias, o que mostrou bom senso, pois seria de muito mau gosto recordar o engavetamento perpétuo do seu socialismo e, pior do que isso, o ter-se associar-se a um agente da CIA, de seu nome Carlucci, encaminhando o país para o atoleiro de arena do "Império do Capitalismo" decadente, desde logo sofrendo as leis da evolução histórica de todos os impérios, v. g. o Império Romano.

Só para terminar, fico curioso para ver como é que Soares se vai descartar das nódoas que lhe caíram no seu currículo político, não havendo benzina que lhe valha, pois para esquecimento é cedo, salvo se os seus camaradas não se opuserem. É tudo uma questão de pontos de vista.

Pergunta-se:
- Onde está agora o seu socialismo engavetado?
- Onde está o patriotismo de Soares?
- Onde estão os seus valores cívicos?
- Vale tudo?

A honestidade moral é cada vez mais uma exigência de cada cidadão. Façamos por isso. Mas, por favor, não chamem a isto democracia, quando todo o povo atulha as ruas e as praças com militares, professores, funcionários públicos, etc., manifestando-se com ruído. Chamem-lhe desvergonha, desaforo, descaramento, tudo, excepto democracia.

Fernando Vieira de Sá

Domingo, 11 de Setembro de 2011

LUTA CONTRA A FOME - O HOMEM QUE QUER SER O 1º E ATÉ ELE SE RI (II)


«PERFIL: JOSÉ GRAZIANO DA SILVA» [Diário de Notícias de 23 de Julho de 2011]

Toma-se este trecho resultado de entrevista, telefónica ou equivalente, do jornalista Abel Coelho de Morais à figura, dando-lhe um personalismo só atingido por directa informação que neste caso é flagrante.

Ao reler a peça anterior sobre o mesmo tema fiquei na dúvida do interesse deste acrescento, dado que aí já estava a suficiente prova para julgar a personagem em questão. Contudo e à laia de cereja cristalizada no topo do pudim, lá vai este pequeno remate que enfeita e não molesta, só enoja.
Trata-se assim de uma personalidade cuja fotografia encabeça o texto anterior com o seu próprio semblante, escrevi a propósito de Josué de Castro, o verdadeiro progenitor e primeiro presidente da FAO por razões históricas já comentadas, e que Graziano, das duas uma: ou desconhece a sua existência sem mais escusa, e não sabe o ABC da história em que se quer infiltrar, e sendo assim o Sr. Graziano é um arrivista; ou o Sr. Graziano é um almocreve sem escrúpulos, falseando a história, tudo para se vender como primeiro brasileiro a ocupar a presidência da FAO, não tendo escrúpulos em vender a alma ao diabo.
Não contente com isto, na entrevista (?) lê-se um grande reportório donde se respigam sentenças que são verdadeiros foguetes de artifício mais virados para uma campanha eleitoral, visando qualquer poleiro vago, do que elucidar o indefeso cidadão quanto aos gravíssimos problemas da fome, apontando para a chaga, a mazela sangrenta de uma civilização sem sentimentos humanísticos que não se confundem com a sua experiência marcada pelas suas vitórias sobre a FOME ZERO, a única verdade em termos de extinção mas também quanto ao progresso das verdadeiras fontes de miséria, onde germina o Nó Górdio, fonte da Fome, questão que é, repito, social e de vontade política que não existe.
Conclusão: Graziano vai repetir a experiência de Josué de Castro que resultou em fracasso, se bem que foi uma importante conclusão que não se justifica insistir e assim entreter a fome aos excedentes de população traduzida em desempregados e pedintes, as vítimas da mecanização por um lado, e a inclemência do capitalismo, por outro.
A máquina não se pode tomar como inimiga do Homem, a riqueza produzida exige contemplar todo o cidadão e não conduzir ao monopólio em qualquer dos seus parâmetros, evitando a fome.
A máquina é uma conquista da civilização, e esta não pode ser propriedade do capitalismo feroz e apátrido, mas sim do sangue derramado pelo povo. Recorde-se Aljubarrota.

Fernando Vieira de Sá

Sábado, 10 de Setembro de 2011

LUTA CONTRA A FOME - O HOMEM QUE QUER SER O 1º E ATÉ ELE SE RI (I)



Este é o segundo brasileiro a ocupar-se, na FAO, da área da luta contra a fome, E que ele diz ser o 1º, mas que o Mundo também sabe que foi Josué de Castro quem sacudiu o Mundo com o seu livro Geografia da Fome, em dois volumes com 450 páginas traduzidas em 114 idiomas, e que ao terminar a Guerra, fundando-se as Nações Unidas e, por sua influência e prestígio a FAO, tendo sido o seu primeiro presidente, conforme se escreve numa das badanas dos dois volumes do seu livro:

«As pesquisas experimentais que realizou deram-lhe extraordinária projeção científica nos meios científicos mundiais, a qual culminou com a sua eleição em 1961 para o alto cargo de Presidente da Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (F.A.O.).»

As esperanças no êxito deste órgão de abrangência mundial eram justificadas, pois ninguém no Mundo poderia ter melhores referências para afrontar o magno problema, inaugurando uma Era de estudo, investigação e experiência, que nunca existiu na luta contra a fome que, aliás, jamais foi pensada antes. Contudo, passados mais de 70 anos de esperança, pelo contrário, nunca houve tanta fome no Mundo, o que prova que o problema tem outras razões que não a aparente escassez de alimentos produzidos. Alguma coisa estava e está errada, voluntária ou não, no exame às causas do fenómeno da Fome Mundial e não só a do nordeste brasileiro que tanto influenciou os seus estudiosos, embora a fome nordestina tenha outro nome chamado desnutrição, com outras implicações, o que não é desconhecido, mas sim ocultado, como tabú perante as forças conservadoras, falando apenas em efeito - a fome - mas jamais da causa - a miséria -, que é a palavra correcta derivada da acumulação da riqueza por efeito de uma política de tendência monopolista, dando origem à riqueza, por um lado, e por outro o assalariado rural e urbano, herdeiros do esclavagismo abolido desde a Antiga Grécia. São vivos os quadros esclavagistas sob a exploração dos roceiros do café, do cacau, do açúcar, etc. nos romances de Jorge Amado tais como Cacau, Terras do Sem Fim, e Gabriela, Cravo e Canela. São trechos que enobrecem pela denúncia, do romancista, e envergonham a civilização que persiste em cultivar o gene do animalismo genético de uma selva capitalista de instintos estropiados.
Apesar dos resultados opostos aos desejáveis, não obstante toda a competência indiscutível e consagrada de Josué de Castro e os meios de trabalho proporcionados pela FAO, Esses resultados foram de alto interesse frente ao esclarecimento retirado da causa profunda que é a miséria, que é de raiz social e opção, isto para Graziano saber.

Perante estes esclarecimentos sobre quem foi o 1º presidente da FAO fica claro: foi Josué de Castro e sem batota.

E para que não fiquem dúvidas passarei agora ao auto-intitulado 1º presidente brasileiro da FAO, de que ele próprio se ri, como se vê na foto... brincalhão.
Num próximo escrito, debruçar-me-ei sobre o auto-intitulado 1º presidente brasileiro da FAO que, pelos vistos, pratica o humor negro, pondo de lado a vergonha, com riso de escárnio, a ver se pega. É triste.


Fernando Vieira de Sá

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Terça-feira, 19 de Julho de 2011

PATRICK FRANCIS KEATING

[Horta - Açores, 30-9-1915 / Porto, 11-7-2011]

Um grande veterinário que desaparece deste mundo aos 95 anos após uma vida profissional brilhante reconhecida fora de fronteiras de Portugal, o que é corrente neste país de sábios e distraídos. Ocorreu a sua morte no dia 11 deste mês de Julho, na cidade do Porto onde vivia, sendo eu informado por sua filha Maria José (Nina), mas logo também por Dra. Manuela Barbosa lembrando-me - por excesso de atenção - ser eu a única pessoa que poderia escrever o seu epitáfio, dado sermos quase da mesma idade. Manuela, por seu lado, além de ter sido amiga de Paddy, é Sócia Agregada da SPCV, e activa, por isso lembrando-se que por via das idades próximas e também a mesma especialidade profissional - Lactologia - só eu poderia encarregar-me desse comentário com rigor, a que eu logo me dispus tomando a tarefa honrosa, se bem que só a idade contou, e logo me lembrei basear-me num texto que escrevi a pedido da revista Holstein (nº 8), datada de 14 de Fevereiro de 1999, e que Paddy registou no seu currículo. Nada melhor poderia eu escrever que superasse o que então escrevi e que agora reproduzo pelo seu grande gesto e bondade me ter honrado ao ponto de incluir em apêndice o meu texto no seu currículo e que a já referida revista publicou.



REVISTA HOLSTEIN Nº 8

Personalidades no Mundo do Leite

Patrick Keating
por
Vieira de Sá

Chegava a Roma depois de umas curtas férias em Lisboa para passar a quadra natalícia e de me haver despedido do Patrick em Sta. Apolónia por regressar ao Porto dando termo a uma forçada deslocação à capital que eu lhe provocara por frustrada boa intenção.
No derradeiro adeus e já debruçado na janela da carruagem, gritava-me ele por entre a hirsuta bigodeira ruiva denunciadora da boa cepa irlandesa que lhe corre nas veias "Olha que eu só te perdoo se me arranjares um lugar na FAO".
Foi o eco dessas palavras que eu meti insensivelmente na minha bagagem e que ainda conservo na memória, quando, dias após, e uma vez mais, deixava Lisboa.
Em Roma, no Q.G. da FAO iniciava os preparativos de partida para a Líbia daí a 15 dias, recolhendo informações do país e desdobrando-me em contactos, na tentativa de que o mundo onde iria cumprir a minha missão me fosse o menos estranho possível.
Tudo corria sem sobressaltos, quando, aí pelo 3º ou 4º dia, o Hans Pedersen, meu chefe, e o mais genuíno dos viquingues, me perguntou: De Sá (assim me chamavam os colegas nórdicos), sabes de algum bom técnico em queijaria espanhol que queira ir para as Honduras? Não, respondi... mas por que é que tem de ser espanhol? Bem, é que nas Honduras fala-se espanhol.
Eu sei, retorqui, mas acho que se for português vem tudo a dar no mesmo e esse conheço. Tens a certeza? Absoluta, afirmei com aquela peremptoriedade que todo o "portuga" assume perante o linguajar cervantino para ele sem segredos.
És capaz de lhe escrever perguntando-lhe se quer aceitar o convite?
Não foi preciso mais nada. Dias depois, o Patrick desembarcava com a sua malinha de cartão no aeroporto de Ciampino, onde estava eu a dar-lhe as boas-vindas com dois abraços daqueles de fazerem gemer o cavername torácico que só resistiu dada a sólida compleição física de ambos.
E, cumpridos os necessários contactos e ajustes, hei-lo rumo às longínquas plagas do Novo Mundo, onde se iria iniciar como técnico internacional, sob o calor e as sensualidades tropicais, por mais de 20 anos recheados de brilhantismo e experiência que lhe valeram sempre a consideração e respeito nunca regateados pelos diversos governos que tiveram a boa sina de o terem como conselheiro e colaborador, assim como da própria FAO.
Patrick Keating foi, e ainda é o nosso primeiro lactologista. Mas para isso para chegar a esses cúmulos de conhecimento ele teve de emigrar, o que de resto acontece a quase todos os portugueses, que se prezam, desde o mais modesto oficinante ao mais destacado pensador.
É que Portugal prefere que lhe falem em "estrangeiro", pois assim não entendendo o que o sujeito lhe diz ou reclama, não tem que o aturar.
Nesta história coube-me a boa aventurança, de primeiro, a absolvição jure et facto, da malandrice que lhe fiz na melhor das intenções, segundo, o facto não menos relevante de ter a oportunidade de contribuir para desenterrar um vivo e bem vivo de um sepulcro onde o inconformista e desventurado Paddy esbracejava contra as mesquinhices e outras coisas terminadas em ices que neste arrabalde da Europa se costumam arremeter contra os que falam alto, fazendo-o com a costumeira inépcia e cobardice q.b.
Ao escrever estas linhas cursivas a propósito de uma inédita e simpática iniciativa da revista Holstein de vir lembrar aos novos algo da arqueologia veterinária, cuja idade dos seus fósseis já quase só é reconhecível pelo carbono 14, não posso pela minha parte deixar em olvido tantos outros qual "ala dos namorados", batendo-se cheios de idealismo (útópico) pela sua dama, nesta conjuntura, o LEITE.»


Foto retirada do meu livro Ecos do México - Da História e da Memória (Moinho de Papel, 2005) a propósito de uma visita a Tegucigalpa com o exclusivo propósito de uma visita ao Paddy para lhe dar um abraço, daqueles que fazem ranger as costelas, desta vez viajando com Maria Elvira vindos de Quito (Equador). Lê-se na legenda: «À frente da casa de Paddy, Tegucigalpa, Honduras. Da esquerda para a direita: Maria Elvira, Bela e Paddy. À frente: Maria José (Nina), filha do casal Keating.»

Neste passo falta agradecer ao meu amigo Guerra, editor do meu blogue, já o sendo dos meus livros de memórias, que ele criou só a preço de amizade, em que se esmera e por isso não faltam elogios sobre a sua apresentação, revelando o seu talento como editor de letras, sejam em papel, sejam na blogosfera.


Fernando Vieira de Sá


Nota de rodapé
- Eu e Paddy tínhamos o mesmo tipo de humor e não foram poucas as vezes em que nos divertimos a criar a confusão em circunstâncias cerimoniosas.
E com todas estas recordações como é que não havia de me sentir abalado até ao âmago da alma?

Sábado, 25 de Junho de 2011

AINDA UMA NICA SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO

Ouvindo as centenas de comentários via TV dos arautos do sistema em que assenta toda a política de Portugal e da Europa, sem dúvida bem pouco adequada ao país, mas nunca deixando de preparar o cidadão para as dificuldades acrescidas que nos esperam, uma questão que é a mais determinante de todas das que se faz a grande especulação sobre todos os aspectos intrínsecos do seu funcionamento na sociedade e valorização do país, uma questão, repito, que deveria ser a primeira das necessidades e mais determinante no quadro político, económico e social, não se ouviu uma palavra vinda de qualquer lado. É ela relativa à produção de riqueza, sobretudo das indústrias alimentares vindas dos campos abandonados e das costas marinhas - riquezas extraordinárias -, abandonadas, das indústrias metalomecânicas, onde chegámos a ter grande prestígio internacional, os estaleiros navais de construção e reparação muito procurados por estrangeiros, tudo isso tendo sido selvaticamente arrasado, ao ponto de Portugal se encontrar quase totalmente dependente das importações e dos especuladores. Tudo acontecido pelo palpite de «animais políticos», tal qual o seu fundador aconselhado pelo seu sentido de profeta que se quer esquecer.
E agora?
A ruptura existe. Mas, mesmo assim, continua a afirmar-se não haver saída, sabendo-se que existe, mas essa não agrada à grande finança sem pátria que Vasco Gonçalves combateu. Por isso foi abatido raivosamente com a ajuda dos Estados Unidos e do fatídico Carlucci e CIA, sob a bênção do "Animal Político".
A grande finança não foi afectada pela CRISE, pelo contrário, as grandes fortunas crescem diariamente, enquanto os impostos quase levam a medula àqueles que pagam tudo com o desemprego e afogados em impostos. Por outro lado, são os apartamentos mais luxuosos e os automóveis topo de gama que se vendem quando os mais baratos não têm procura.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 23 de Junho de 2011

Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

COMPROMISSO - PASSOS LEVA NOBRE A PRESIDENTE DA AR?

Diário de Notícias, 16 de Junho de 2011

Afinal Nobre não é assim tão nobre e tão independente como quer convencer o Mundo. Pelo contrário, ele quer é mais campo de manobra para alcançar os seus altos projectos pessoais. Por outro lado, Passos e Portas (P. e P.) não são assim tão intangíveis como garantem proceder no seu labor patriótico e partidário. Se houvesse dúvidas quanto à ficção de tais anúncios bastaria analisar o inédito e insólito Caso do homem que só quer ser Presidente da Assembleia da República, pois só aí ele pode esgotar as suas aptidões. E se isso não acontecer, nesse mesmo momento negativo perderá o amor à bicicleta, bate com a porta e vai à vida. Será só ameaça?
Ora, para evitar esse drama nacional perante tão valiosa personalidade, P. e P., os dois Pês, esquecendo ou ignorando os regulamentos da Casa, desfizeram-se em manobras para levar os deputados à «chapelada», confundindo os deputados com mercenários, para lograr tão alto desígnio de levar o independente (?) ao pódio, fazendo isso em paga dos favores que Passos recebeu do dito Nobre quando deu todo o seu empenho como cabeça de lista do PSD em Lisboa, como se tudo isso não fosse uma troca de favores entre compadres. É a tudo isto que se chama independência?
E para concluir: Tudo como dantes. É o mesmo que bater em ferro frio. E são estes ilusionistas (para não dizer a palavra certa - há várias) que vão resolver os gravíssimos problemas que a todos tocam?
A presente foto ilustra esta pequena cena dos reconhecimentos mútuos de empenhos, os compadrios, por mais que se lhes chame independência.
Passos aperta Nobre como uma tenaz, em reconhecimento, segredando-lhe ao ouvido: «Tudo vai sair bem, prometo». Promessa fatídica para ambos.

***


Quando estas palavras forem lidas não podem hoje ser desmentidas, nem ultrapassadas, quanto muito, acrescentadas.

«Todos os caminhos vão dar a Roma»

Aqui o interesse é a foto que não desmente nem nega o que aqui se escreve, pelo contrário, autentica-o.

Conclusão

O que se passou, entretanto todos o sabem, donde se conclui:

1º - que os deputados não são mercenários. As consciências falaram mais alto;
2º - Passos e Nobre fizeram uma triste figura que ficará para a história;
3º - O meu depoimento regista a trapaça e a vergonha que caiu sobre os actores. Se houvesse mais pudor mental, bem poderia evitar-se a borrada com cheiro a esgoto.
4º - Afinal Nobre voltou atrás e lá se foi sentar na cadeira de deputado com muito pouca nobreza.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 22 de Junho de 2011

RETRATO OU RADIOGRAFIA DE UM TRÂNSFUGA?

Documento confirmativo das minhas afirmações retiradas da minha parca memória, mas que nunca esquece o que se mostra escabroso e custa a engolir.

A minha legenda: «Até onde chega o impudor!!!»

Aperto de mão entre dois entes que escreveram história por linhas escabrosas, deixando a moral na gaveta, virando as costas aos seus ideais socialistas (um deles, pelo menos), em stand by por sua própria confissão em tempos de revolução e de exigência moral. Pela foto o portuga está contente com o desempenho. O gringo fez a sua tarefa suja ao serviço da CIA. Era assim que ambos se chamavam (?) na intimidade que o aperto de mão traduz. A fronha do da direita é lamentável. Dá dó e repugnância, que a idade não desculpa. Lembranças que são vómitos fermentados.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 9 de Junho de 2011

Sábado, 11 de Junho de 2011

VASCO GONÇALVES, UM MARCO NA HISTÓRIA DE PORTUGAL CONTEMPORÂNEO


Recordando o seu falecimento em 11 de Junho de 2005, passando às páginas da história pátria como sendo o 1º vulto do PREC, presidindo a 4 dos 6 governos provisórios (2º - 5º Governos Provisórios: 17/VII/1974 - 12/IX/1975) tantos quantos foram os fossados contra o seu governo, sucedendo-lhe o angustiado Mário Soares, que aqui finalmente iniciaria a sua entrada oficial na governança, inaugurando a Era ainda presente, histórica mas pela negativa.
Comparando estes tempos políticos com os do reinado de D. Maria I, a Piedosa, sucedendo a D. José, melhor dizendo, a Marquês de Pombal, período esse registado na história pátria por VIRADEIRA, pois a dita rainha só se esmerou em repor os tempos anteriores a Pombal, já caducos e indesejáveis, pondo o país na cauda da Europa.
No caso presente toda a luta contra Vasco
Gonçalves baseava-se fundamentalmente na sua luta para evitar a sangria de valores fiduciários e bolsistas e atender a uma política servindo a modernidade da vida nacional, sucedendo-lhe finalmente e com urgência Mário Soares - o animal político, em 1º e 2º governos constitucionais, como primeiro-ministro. E tal como a rainha, o dito primeiro-ministro desatou a desfazer todas as estratégias de protecção ao país contra as matilhas de predadores à esquina. O resultado vem a dar aquilo que Vasco Gonçalves queria a todo o transe evitar. Em pouco tempo, títulos como o que se mostra ao acaso, são tão frequentes como pão para a boca.


Esta é a segunda VIRADEIRA que, tal como a primeira, fez com que o país se expusesse ao saque e o povo a pão e água.

TOTAL:
1ª VIRADEIRA - D. Maria I, a Piedosa

2ª VIRADEIRA - Mário S., o Animal Político



Muito mais se poderia escrever, mas estas poucas palavras são suficientes para prestar a justa homenagem, sempre emotiva, a Vasco Gonçalves, que os ventos que sopram de proa fazem todos os esforços para apagar o nome deste patriota e governante histórico como se nunca tivesse existido.


RESUMINDO:

MARIA acaba o seu reinado em demência;


MÁRIO inaugurou, com os seus governos, a marcha triunfal para a bancarrota e agora assobia para o ar como quem rejeita a paternidade moral e física dos seus fracassados governos.


São duas as perguntas e implícitas respostas:

- Quem fez tudo para evitar a sangria de capitais do país que se perspectivava? - Vasco Gonçalves [positivo]

- Quem inaugurou a marcha triunfal que levou o país às portas da bancarrota? - Mário Soares [negativo]

Notas:

a) - Usa dizer-se «todos foram responsáveis», forma de sacudir a pó à casaca. Em boa verdade, há-os de primeiras águas, fundadores e seguidores, não podendo escamotear-se o cabecilha socialista histórico. Os outros são apenas peões de brega do grande campeador;

b) - A saída para a crise não se resolve com outra crise pendular, mas sim com outro sistema governativo. A evidência mete-se pelos olhos dentro.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 11 de Junho de 2011

Sábado, 4 de Junho de 2011

VIOLÊNCIA EM CAUSA SEM QUALQUER PREOCUPAÇÃO DOS POLÍTICOS

Fica para trás mais uma campanha eleitoral que, como sempre, não passa de um preceito eleitoral, o que faz parte dos ritos democráticos e, tal como muitos outros, não passa disso.
Todos os arautos que se perfilam para participar da representação afinam as goelas para se afirmarem perante uma população que já não se sensibiliza com os discursos no entendimento que tudo é como dantes: todos "um contra todos" e "todos contra um". O Presidente da República lá do alto do poleiro pede para não mentirem ao povo incauto. Ele próprio, para não pecar, faz o esforço para não dizer nada, que é o melhor que pode fazer porque se abrir o bico também não adianta nada. A experiência aconselha.
Dentro deste panorama político, quando tudo acaba para o período de reflexão e se vai ao voto já tudo está combinado para que tudo fique na mesma. E assim vai passando o tempo, seguindo os mais sagrados preceitos da democracia, que é o que está em causa.
Dentro deste cenário político, poderia ainda tentar algum dado novo, pelo menos útil, na melhor das hipóteses que seja para introduzir qualquer coisa menos ou nada discutida, embora de pouco interesse e atraente para espectáculo. Contudo, e sendo um assunto da maior preocupação, não houve uma única palavra sobre ele durante a campanha e de todas as forças em campo. Na minha parca opinião o assunto ainda não está politizado e como tal não interessa por não atrair um único voto. Sendo assim, não se pode perder tempo em fantasias.

A violência não tem cor.

A verdade é que na nossa sociedade, no tempo que vivemos, cada vez mais se avolumam preocupações que se revelam em todas as imprensas e literaturas, o fenómeno chamado violência que se traduz em crimes dos mais preocupantes e selvagens que envergonham qualquer sociedade, pois nem nas sociedades mais primitivas se chegou à selvajaria que hoje é informada em qualquer meio de comunicação do mundo, em que Portugal é comparte, no cenário de cada dia. Trata-se do emergente homem novo, que leva à esquizofrenia desenvolvida pela vida humana, sobretudo centros de grandes cidades, cuja vida é sujeita a grande tensão nervosa, levando à doença.
É um assunto para larga discussão. Eu próprio no meu livro Viagem ao Correr da Pena (2004), no Prefácio (página 20 e ss) chamo a atenção para o facto. Dado este grande problema que atinge a sanidade da sociedade de forma trágica, apesar disto, os políticos viram-lhe as costas por ainda não haver reflexão para politizar o problema. O que acontece é que todos se encontram no mesma indiferença e o problema politicamente não dá fruto, isto é: voto. É vergonhoso.

Finalmente: sendo a violência um problema de grande preocupação social, nesta campanha não houve uma frase que fosse de alguma reflexão sobre tão dramático problema, por ser um fenómeno que ainda é olhado como "casos" da vida, quando afinal não é um "caso ou outro", é, sim, um problema dos mais difíceis e preocupantes por se tratar de uma gravíssima patologia.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 4 de Junho de 2011

Terça-feira, 24 de Maio de 2011

ARTE DE SACUDIR A POEIRA DO CAPOTE

(clicar na imagem para melhorar a leitura)

[A propósito do artigo «Revolução "sem culpas" na degradação da política», da autoria de Manuel Carlos Freire, publicado no Diário de Notícias de 26 de Abril de 2011]

Esta época do ano é rica em evocações de factos e datas, tanto na área religiosa (a Páscoa) na sua melhor crendice, como o 25 de Abril, E, em especial, aproveitando as festas para que uma Alta Autoridade do Estado pendure no cachaço do condecorado a medalha adequada ao feito merecedor do acto para que foi seleccionado e se pôs a jeito. Tudo no mais requintado estilo. Este ano toda a atenção caiu sobre os episódios, uns atrás dos outros: a política governativa; as eleições dos deputados; as troikas (europeia e portuguesa); a crise aterradora instalada; o episódio do patriota que, sem partido nem experiência exigível, declara que só se sente disponível para presidente da Assembleia da República o que afirma com uma lata pacóvia que só suscita dó.
Neste momento tão ardente de opções, contendo o melhor das ideologias que possa servir o cidadão, embora ignorando tudo a respeito do cargo e fazendo tábua rasa daqueles que passam fome e são vítimas do desemprego que, no seu bom entendimento, não passam de desordeiros mandraços ou inadaptados aos modernos conceitos do socialismo pátrio; é essa a leitura feita na sua interpretação. É tempo também de investigar e discutir onde se encontram as raízes mais responsáveis e fundas da crise que, por mais que se gastem galões de lixívia, a nódoa persiste nos livros de história e nas consciências sãs.
Sabe-se, porém, que o nosso país, desde o 25 de Abril, foi palco iluminante no seu arranque revolucionário que aterrorizou os "animais políticos", no caso Mário Soares, ele próprio reprimia em várias ocasiões face à explosão das multidões anónimas, ansiadas, brandindo bandeiras do escudo nacional, apenas glorificando os momentos da vitória da liberdade conseguida. Quadros jamais esquecidos por todos aqueles que presenciaram e participaram esses momentos gloriosos de alegria e irmandade abraçando as tropas revolucionárias, sentindo-se estas honradas pela sua participação nesse tão grande momento. Porém, Soares, por sua própria escrita mostra-se horrorizado com o crescente vulcão humano de pendor popular entupindo ruas, praças e janelas, apavorado, afirma que não foi para isso que, nem o povo, nem a tropa se prestava a uma patuleia à laia de uma Maria da Fonte. E vai daí, no último momento (palavras ditas e já neste espaço escritas) o grande profeta, mandando às urtigas o patriotismo, apunhalando a revolução, servindo-se da conivência do verme Carlucci (homem sinistro da CIA e magarefe de Allende e da democracia chilena) e da embaixada dos EUA e do próprio governo americano que Soares visitou expressamente, dando assim volta à revolução portuguesa com uma intervenção de traição estrangeira, instalando aquela plataforma que deu nascimento a todos os golpes sofridos, dando como resultado a sentença de morte que todos estamos observando e sofrendo, atirando as culpas entre si, e todos silenciando o verdadeiro autor da sentença de morte do Movimento do 25 de Abril. Num tribunal civil e honrado as sentenças teriam outra leitura: traição à pátria (intervenção estrangeira) = prisão perpétua.
Agora vêm os politólogos explicar que há diversos socialismos. Sendo assim, em um deles encaixar-se-á o chuchalismo, o tal que se encontra engavetado para toda a vida.

Bem podem os chuchalismos e outros epigramas fazer por esquecer, pois tudo é vergonhoso do ponto de vista do patriotismo e muitas outras coisas vergonhosas.

Esquecer é o mais prático.

Só o tempo atenua a chaga, ficando a cicatriz indisfarçável, resultado dos muitos socialismos para todos os gostos. Nesse caso teve presença o chuchalismo soarista (patente registada)

Portugal é pátria do fado

E neste sentido, sofre mas não mata, como na tourada "à portuguesa", em que Soares sai da lide e dá a volta ao redondel.

Epílogo

A crise que se discute tem o recorte de todas as crises económicas sofridas e faz parte do conjunto dos fenómenos que substanciam o fim dos impérios. No caso presente o império em causa chama-se "Império do Capitalismo", o mais abrangente de todos os impérios conhecidos, já que não tem fronteiras físicas, nem morais. Neste estado da evolução todas as troikas coincidem no mesmo pendor em que a Europa refina - o capitalismo sofrendo de Alzheimer, passando por crises mais que sabidas que fazem parte do sistema, e que - de crise em crise - chegará ao rompimento.
Tal convulsão agrava-se progressivamente. A prova é a actual que se desenha como a mais grave, longa e alargada e com a convulsão das massas alargada a toda a Europa, chegando a outros continentes.
A História não anda para trás. Entretanto passeia-se já na Lua.

Quem acredita que não haja remédio para acabar com a fome endémica?

Há aqui qualquer veneno mortífero que todos conhecem e que é a força do capitalismo. Está à vista.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, Maio de 2011

Terça-feira, 5 de Abril de 2011

O QUE FAZER COM A DESCOBERTA «LONGEVIDADE ACRESCIDA»

Um destes dias, estando em frente à televisão, surgem, num dado momento, 5 ou 6 rostos encarquilhados - homens e mulheres - escorrendo sorrisos de felicidade, seguramente por essa oportunidade de se mostrar ao mundo, coisa que não é para todos e, ainda por cima, de borla e sem truques.
A seguir a este quadro, surge outro de um grupo de investigadores biólogos, anunciando a sua última façanha, nem mais nem menos a descoberta do gene (ou coisa que o valha) do prolongamento da vida humana, certamente com a finalidade de ver chegada a hora de ver acabada a borrada que os políticos impingem, e também pela sua parte, beneficiando dos últimos aperfeiçoamentos da arte de surripiar o cidadão sob a tutela da governação de turno e que tem proporcionado êxitos financeiros sob a orientação de afamados economistas nacionais, sábios em ciências económicas e de alta tecnologia financeira como se vê.
O pior de tudo é que não se sabe bem o que os sábios querem fazer de bem para a sociedade gozar do alargamento conseguido, apesar de que, actualmente, a longevidade, sem a descoberta nascente, tem-se mostrado espectacular não sendo essa longevidade actual substancialmente mais alta do que a vigente no século passado. E mais: sem o milagroso gene, mas sim com o avanço das ciências médicas, sanitárias, higiénicas, etc., de tal maneira positivas que, actualmente, começa a dar dores de cabeça às caixas de reformas e todos os serviços sociais relacionados com os aposentados e aumento dos dependentes pelos grandes avanços que permitem uma maior longevidade que não tem nada que ver com o gene de nova Era e, de tal maneira, que já hoje esse alargamento da vida é um factor de preocupação na existência das caixas de reformas e sistemas sociais para atender ao apoio aos subsidiados ou dependentes idosos e improdutivos.
Por outro lado, alargando a longevidade até satisfazer os sábios e assim outros Nobel, mas mantendo o decréscimo da natalidade - também originado pelo sistema político - só tem agravado as dificuldades ao funcionamento familiar, tanto do ponto de vista doméstico, como cultural, donde resulta a incapacidade da actual orgânica do sistema social de apoio aos obrigatoriamente assistidos.
Deste modo, e partindo das novas descobertas, teremos em breve um Portugal caquéctico, por força do alargamento dos improdutivos e reformados, bem como pela redução progressiva da natalidade. Resultado: um país a cair da tripeça e sem futuro. De resto é a tendência da Europa, aliás já em desenvolvimento acelerado.
Já há mais de 50 ou 70 anos, o Prof. Abel Salazar, no seu livro A Crise da Europa (Biblioteca Cosmos), embora em outras perspectivas, levantava os problemas do envelhecimento da Europa, o que quer dizer que cada vez é mais urgente varrer as mentalidades que actualmente afundam o continente europeu. É isso que se quer?
Para terminar veio-me à ideia sugerir que talvez possamos pedir auxílio ao A.P., afinal o responsável remoto de tudo, em colaboração com Carlucci.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, Abril de 2011

Quinta-feira, 17 de Março de 2011

UMA POSSE PRESIDENCIAL - TEMPO DE AFIRMAÇÕES DE ALTO NÍVEL

O CASO

«No ano de 1969, em Julho de 1969, o homem chegou à Lua e conseguiu ampliar mais ainda o âmbito da sua imbecilidade, o homem não sabe governar, nem pacificar, nem alimentar a Terra, tão-pouco sabe curar nem prevenir o cancro ou a sida, nessa altura ainda não havia sida, mas acerta com o caminho para a Lua, cada vez é mais dilatado e vergonhoso o horizonte do seu estúpido orgulho.»

Isto lê-se no livro A Cruz de Santo André, de Camilo José Cela (Prémio Nobel da Literatura em 1989), Tradução de José Carlos González, Bibliotex Editor, 2003.

A TRADIÇÃO

Uma posse presidencial na Quaresma, tempo do ano exigindo concentração dedicada aos problemas que a humanidade enfrenta, muito particularmente Portugal, E neste contexto é tempo de meditar sobre uma Posse Presidencial, no caso Cavaco Silva, debitando alguns comentários de circunstância, dada a época do ano no calendário cristão.

Assim:

A CENA

primeiro, extra-muros, nada faltou para o brilhantismo da posse presidencial, ao que se seguiu intra-muros com todo o cerimonial exigível em momentos plenos de reflexão que todos desejávamos ouvir, como seja, aquela esperança que mina a alma de um povo exausto.
Chegado esse momento, o empossado saca do texto que desbobina por cerca de 50 minutos, tudo para dizer que é neutro, charla que se confunde com uma sessão política em tempo de eleições parlamentares, cada um puxando para o seu partido. Daí nasce a confusão, ficando-se sem saber o que o empossado queria exaltar, se o Presidente, se o Governo, alterando o propósito em causa: de que se estava a falar? Daí a catadupa de discussões vindas de todos os quadrantes: todos contra todos, e todos frente à ambiguidade dos alvos a alcançar, ficando na sombra os quadros do brilho das fardas e piruetas da praxe, quando intra-muros só se oferecia chupa-chupas, deixando todos "à rasca".
Muito se poderia especular mas o que é posto à vista e ao ouvido já chega para perceber que assim não se vai lá.
Lá diz o Prémio Nobel de Literatura de 1989, na página 17 da obra citada:

«- Acredita que os crimes se preparam sempre em silêncio?
- Sim, os bons crimes sim, quanto aos outros, que interesse tem? Preparam-se sempre em silêncio, como deve imaginar, e com muita delicada discrição, tanta, que às vezes não se descobre a intenção até ao momento exacto da punhalada ou do veneno, a prudência nunca é demasiada, a prudência é um aliado firme.»

[Nota em 24-III-2011: Se fosse preciso um exemplo, bastava recordar o que se passou recentemente com as trapalhadas do primeiro-ministro José Sócrates, ao levar a Bruxelas propostas em segredo, e as consequências do seu acto. E a história continuou, hoje, um dia depois do chumbo do PEC IV, agora com as trapalhadas do pretendente ao mesmo lugar, que já fala em novos aumentos, mas esconde muito mais do que aí vem].

Sugiro, neste ponto, que se volte ao texto FOME - NÓ GÓRDIO DO PROGRESSO DA CIVILIZAÇÃO, de 27 de Fevereiro de 2010.

CONCLUSÃO

Fome e Capitalismo são antídotos irreversíveis, prova-o a História do Mundo.
A esmola é o ópio da Sociedade, a Vergonha da Civilização, É a má consciência a manifestar a indiferença. Isto numa Europa a cair de caducidade, um museu de velharias fora dos tempos, exigindo outra mentalidade mais arejada, mais uniforme, mais unitária.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, Março 2011

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

MENSAGEM DE UM BOM AMIGO

(para uma melhor leitura, clicar na imagem)


Mensagem natalícia com que o meu bom amigo Celestino Matias, com a sua poética sensibilidade, me presenteou. E que eu agradeço e aqui registo. FVS

Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

A DEMOCRACIA «FAZ-DE-CONTA»

É de todos nós sabido e constatado que a nossa democracia - e não só - se esgota no acto de votar. Fora isso, a democracia é o que cada um quer que seja, conforme o seu temperamento e modo de estar na vida. E se assim é, e ninguém pode negar honestamente, é fundamental saber a validade certificada dos cadernos eleitorais e a sua respectiva actualização para cada acto - que são vários, como se sabe.
Na verdade, há múltiplas falhas conhecidas e ninguém sabe como o controlo é feito e qual é a sua validade e fiscalização, isto para que tudo isso não passe de mera burocracia ou palhaçada que não passe de intenções, e lá se vai a democracia pela sarjeta abaixo. Não é por acaso que ouvi um votante de gabarito dizer alto e rindo-se: «Venham daí as eleições. Para elas chego eu».
Seria de bom tom saber com clareza como está sendo processado este controlo fundamental, incluindo a fiscalização atempada e quem e como se executa e actualiza.
Ninguém está interessado? Está na hora, ou continuamos sendo uma democracia faz-de-conta, como aliás todas por esse mundo fora, resfolgando democracia por todos os poros ao mesmo tempo que lhes bate à porta um esfomeado pedindo uma côdea de pão.
Seria bom contemplar a questão dos analfabetos que também são cidadãos mas imperfeitos.

Fernando Vieira de Sá

Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

PERGUNTA SEM RESPOSTA


O Diário de Notícias de 25-XI-2010, em azo de comemoração, lembrou-se de ocupar as duas páginas centrais do jornal com o 25 de Novembro, que virou a linha política que se reviu no 25 de Abril. Para isso, em grande destaque, aventa com uma interrogação que põe em dúvida e justifica a charada:

25 de Novembro
E se tivesse sido ao contrário?

Não sendo uma resposta, mas sim um comentário, pressupõe-se que só o profeta ou animal político seria capaz de responder, e mesmo assim com todos os riscos de acertar. Não sendo assim só poderá afirmar-se sem ofensa, mas com piedade, o que todo o bicho-careta pode garantir sem que alguém possa contestar e que é: Resposta - Uma coisa é certa: seguramente não se pode prever pior em todos os sentidos.
O profeta pelos vistos errou magistralmente. Agora sou eu que pergunta: Quem paga o palpite do profeta? Segundo as leis de imprensa a resposta deveria ser publicada nos mesmos modos que a pergunta que, aliás, não tem pés nem cabeça, sabendo-se e sentindo-se que já estamos todos a bater no fundo. O que quer o jornalista que se responda? Ou está a gozar com o pagode? A não ser que se trate de um exemplo de jornalismo humanista.


Fernando Vieira de Sá

Domingo, 21 de Novembro de 2010

A CIÊNCIA DO DIAGNÓSTICO - A CRISE - A PREVISÃO DO PREVISTO

(clicar na imagem)

Há uns tempos, concretamente dia 13 de Outubro passado, o Diário de Notícias publicava com relevante destaque a notícia da morte de Maurice Allais (1911-2010), cujo cabeçalho ressuma e convida à veneração. Desta notícia releva-se a justificação do Prémio Nobel da Economia (1988) como sendo um dos poucos a prever o crasch (bancarrota) em Wall Street, em 1987.
Não vou discutir o galardão nem as homenagens, mas sim a discordância e a tentativa de querer-se dissociar o fenómeno «crise» do sistema económico em vigor, como se fosse qualquer crise inesperada e pouco ou nada estudada, E com isso escamotear e ignorar antecedentes indesmentíveis, ou fazer-de-conta, macaqueando a história do mundo. Chama-se a isto falta de ética e de pudor.
Com esta canhestra manipulação informativa, duas ocorrências saem da História como artes de saltimbanco, limpando-a de incomodativas ideias, face à tendência oposta tais como: - a ambição do ideal social sempre no sentido da justiça e bem-estar susceptíveis de beneficiar a sociedade, dentro das regras da fraternidade e justiça; - a circunstância do fenómeno «crise» estar profundamente investigado desde Karl Marx (1898) que, pela primeira vez, responsabiliza o sistema capitalista de estar de costas voltadas para a contradição: «A produção é social e a apropriação dos produtos é individual», o que leva a crises que abalaram o Mundo e que estão registadas como abaixo se expõe, permitindo o seu estudo, consequências e outros detalhes de interesse à investigação.

(1) - Fonte: Introdução ao Marxismo, de F. Engels, A. Talheimer, J. Harari e L. Segal, Rio de Janeiro, Editorial Calvino, 1945

Actualmente a tendência continua a registar-se. Nesta conformidade pode conjecturar-se a falência do sistema actual pela excessiva concentração da riqueza, levando à paralisação da troca e defunção do sistema em causa, tal como Marx diagnosticou, investigando cientificamente as causas profundas dos colapsos próprios do regime. Desse facto nasceu o Marxismo, teoria ecuménica de aprofundamento das Ciências Económicas, hoje uma bandeira que as forças tradicionais combatem ferozmente. Marx - não se esqueça - era um investigador nato em ciências económicas, dada a sua preparação académica, sendo economista e doutorado em Filosofia. Marx era, acima de tudo, um investigador social que leva à política e como tal agiu dentro da sua capacidade intelectual e científica. De resto, e querendo não o dizer, mas levado pelo transe discursivo num momento apelativo no encontro de Presidentes da República na TV, Mário Soares, há semanas atrás, afirmou precisamente esse facto, o que espantou todos os telespectadores. Pela minha parte, fiquei atónito, mas do «animal político» espera-se tudo, faz parte da sua flexibilidade estratégica de catavento, timbre do carácter do político em causa. Desta vez deu-lhe o bestunto para a verdade.

Para terminar, e voltando a Maurice Allais, não se percebe assim qual foi a proeza da previsão que o levou ao Prémio. Parece, por vezes, medalhar-se mais o interesse político que se explora, do que a ciência na sua imaculada independência. Não façamos do Nobel uma broa de Natal, como a propósito deste morto repescado como sábio e que neste caso nada descobriu, pois que, como se sabe, tudo já estava descoberto, mas, mesmo assim, «venha-de-lá-um-Nobel!» que é sempre saboroso. Seria mais racional medalhar à data de nascimento já que um morto é sempre um ponto final, enquanto o nascimento é sempre um futuro. Nem tudo lembra nestes transes. E no meio de todas estas efemérides, do problema CRISE nem uma palavra, como se nada tivesse havido, o que tem duas leituras: uma, dar os louros às almas ressuscitadas como neste economista da irmandade certificada; outra, e principalmente, guilhotinar a memória de Marx, cujos estudos levaram ao que veio a designar-se de Marxismo, um novo caminho àquilo que até aí não se pensava haver uma porta alternativa ao sistema capitalista, E quando na Era Moderna existe uma ampla alternativa ao trabalho escravo, sem regalias, hoje amplamente tal força é substituída pela mecanização e energia, tomando o maior esforço da produção. E daí o que se vê: a contradição expressa por Marx e que se repete: «A produção é social e a apropriação dos produtos é individual».

Mas, no nosso caso, nem o sr. Maurício nem os ilustres economistas desta praça, incluindo o bota-abaixo Medina Carreira se atrevem a beliscar a vivência liberal capitalista que só tem produzido borrada atrás de borrada e, não obstante, nunca se discute nem o regime, e muito menos se averiguam as razões das crises. E todos sabem porquê. Está à vista. É assim que democraticamente se ignora o povo. E cá estamos todos para pagar a batota do sistema.
Porque não fazer o diagnóstico, ou seja, procurar a causa profunda como fez Marx? Isto, sem pôr em causa a inexcedível honestidade de quem quer que seja, os seus conhecimentos, a sua ciência, mas não aplicável por pôr em causa o sistema capitalista. E cada vez há mais fome e cada vez há mais desempregados. Seria tempo da aberrante ditadura capitalista deixar a gente honrada viver honestamente, pois a ladroeira até agora só recebeu favores dos economistas distraídos. Basta de ditadura capitalista, a mais desumana das ditaduras como se observa aqui mesmo, e de que maneira. Aqui está uma boa arena para o sr. Medina Carreira exercitar os seus espectáculos televisivos, contra tudo e contra todos. Mas nada, absolutamente nada sobre o diagnóstico das CRISES, nas quais os seus contrapontos também não beliscam por serem da mesma confraria.

PONTOS DE ENCONTRO NA CIÊNCIA DO DIAGNÓSTICO

HIPÓCRATES (460-377 a.C.) está para as Ciências Médicas como MARX (1818-1883) está para o sistema capitalista em jogo.

Ambos, pela primeira vez na História da Humanidade, abriram portas à racionalidade da busca das causas distantes dos distúrbios pela descoberta do diagnóstico, por Hipócrates na Ciência da Medicina, por Karl Marx nas Ciências da Economia.
A utilização do processo diverge: na Medicina, o diagnóstico é prática obrigatória no exercício médico. Não há Medicina sem diagnóstico. E na Economia, quem diagnostica?

A fome espera.
O desemprego desespera.
O medo e a conveniência penalizam a moral e a honra.
E a fome campeia como praga do destino.
Deus dedit, Deus abstulit (2) (Deus m'o deu, Deus m'o tirou). É a Moral. Por exclusão de partes, Marx é o Diabo.

Fernando Vieira de Sá
(2) - Segundo o Dicionário de Moraes, «palavras de Job que se citam como exemplo de resignação».

Domingo, 10 de Outubro de 2010

CASO INÉDITO NAS LETRAS PORTUGUESAS


Inédito porquê?

- Por se tratar de uma pequena edição, sendo também do autor a capa, os desenhos e a própria edição, como se lê no livro («capa, desenhos e edição do autor»);
- Porque, apesar da singeleza do caso, o livro foi imediatamente apreendido pela PIDE;
- Por o autor contar apenas 15 anos de idade, frequentando ao tempo o 5º ano do Liceu, em Aveiro, sendo brilhante nas Letras e nulo nas Ciências;
- Por a temática trabalhada na obra exibir nomes e temas que exigem grandes conhecimentos literários, históricos e de certa filosofia com que impregna as ideias;
- Resume-se, ao que sei, a esta única publicação a sua promissora produção intelectual, o que não retira valor ao autor no presente; só exigiria estudo profundo, na área da Psicologia, sobre o que levou ao comportamento posterior do autor.

Contudo, trata-se de um caso que talvez não tenha paralelo na literatura portuguesa ou qualquer outra, sendo uma obra profunda, independente da idade do autor.
Melhor do que quaisquer palavras que possa escrever sobre o caso, julgo preferível transcrever a pequena nota escrita por meu pai, à mão, que encontrei junto ao exemplar que o autor lhe ofereceu, por ser seu amigo e dadas as relações entre ambas as famílias

«Fernando Moniz Lopes
filho de
Dr. Moreira Lopes
(médico)

O Autor deste livro de poesias, Fernando Moniz Lopes, tem apenas 16 anos de idade concluídos há poucos dias atrás, isto é; ainda com 15 anos conseguiu fazer obra de valor e profundo conhecimento das coisas e política deste Mundo, com conhecimento de toda a nossa literatura e literatura estrangeira. Fala e discute, como pessoa adulta.
Sendo profundo em literatura, detesta as ciências, pelo que no 5º ano dos liceus, reprovou na Secção de Ciências. E discutindo com professores, chega à conclusão que, muitos deles, são incompetentes debaixo dos dois pontos de vista: didáctico e cultural. É um fenómeno o rapazinho!
Este livro o "Novo Rumo" foi-me oferecido por ele, o Autor.
Lisboa 14/8/1966

Mário Vieira de Sá»

[Nota à margem: «Por motivo de política, foi o livro apreendido pela Pide (Polícia Internacional e Defesa do Estado).»]

Por absoluta impossibilidade de reproduzir a obra, E sendo quase criminosa a sua condenação ao silêncio de um sepulcro, que pelo menos se acrescente em jeito de homenagem, neste espaço, algumas das suas palavras repletas de erudição e humanismo, mas também para enriquecimento da memória e intelectualidade nacional.
Não menos positiva e sempre útil a crítica à governação salazarista, carrasca da inteligência. Tal como o grito franquista na Guerra Civil de Espanha, «¡Abajo la inteligencia! ¡Viva la muerte!», Salazar, por sua vez, mandou encerrar a Escola do Magistério Primário. Hoje fecham-se às dúzias as Escolas Primárias em todo o país e dificulta-se o acesso às sobreviventes, tudo isto mantendo-se o crónico analfabetismo com reflexos negativos no direito ao voto. Por isso, o Animal Político diz dormir tranquilo, não tendo medo das urnas de voto. É a democracia. Para mais, Portugal foi vítima de mais de cinco séculos de Inquisição (1239-1759), da qual ainda sofre prejuízos pelas metástases que afloram como cancros da flor da vida nacional.
Sendo assim, decidi, com a devida vénia ao autor, reproduzir a seguir a Introdução e a lista dos títulos dos poemas, cuja leitura bem pode espelhar a especificidade cultural da exígua presença na vida, mas de grande densidade de uma obra que o autor oferece nos 27 títulos, cuja lírica se confunde com os ecos de campanário que leva ao superlativo da dor, àqueles que, tal como hoje, se vêem expulsos de uma escola oficial por se ter oferecido instintivamente como mártir de uma governança vesga, autoritária, roubando oportunidades e participação na tarefa de valorização de uma pátria que teima em não querer ser manjedoura de multinacionais e passerelle de negócios fuscos, usando todos os truques que só os grandes economistas mais sábios estão à altura de governar o tal sistema sem alternativas! E temo-los com prática e sucesso confirmado. Falam as leis do negócio que se confirmam com todo o rigor na crise em desenvolvimento.

«Introdução

A arte não é a água estagnada dum lago, nem a pureza imaculada duma sagrada visão.
É o caminho da descoberta de nós próprios, da verdade e da beleza, é uma busca constante e real, a verificação do que é o mundo e a vida no equilíbrio duma visão tão exacta quanto possível. É um nunca abdicar de propósitos para conhecer a nossa condição de homens, e reagirmos em relação a ela como a uma causa verdadeira.
A obra de arte é a que se situa mais perto da razão e do homem: - quando o seu sentido é universal, quando ele se liga a problemas fundamentais e humanos. Não existe assim diferença entre o artista e o homem comum. Nada o separa dos outros senão a sua capacidade de transmissão. E se ele fosse na realidade diferente - como tantos afirmam - a sua mensagem seria inútil porque a não compreenderíamos, mesmo que o seu sentido fosse enorme em relação a esse mundo.
O artista é necessariamente o homem que procura definir e transpor as barreiras do nosso pensamento e que marcha rumo ao desconhecido, mas para o conhecer e o mostrar aos outros.
O homem é já em si a força que o conduz. E onde avaliar essa força tão bem como em nós próprios?
O homem é a concretização dum todo ilimitado.
Sentimo-nos por vezes enraivecidos por não poder ultrapassar o realizável. Mas a sua realização é mais do que uma forma de expressão: - é a demonstração da nossa ânsia de não nos limitarmos no espaço.
E é nesta teia aparente de contradições que o espírito do homem se desenvolve, esse espírito que gera o progresso e é ele próprio a reflexão mecânica do universo.
Não sinto, pois, medo nem vaidade na publicação deste pequeno volume. Faço-o porque obedeço a um facto natural de mim próprio e é um caminho aberto de comunicação com o homem.
Aveiro 24/3/66»

[títulos dos poemas: ADOLESCENTE; À LIBERDADE, ODE À PAZ; POETA; A ALBERT CAMUS; POEMA DA CHUVA E DO SILÊNCIO; ARTISTA; CONDESTÁVEL; D. DINIS; BARTOLOMEU (poema transcrito por mim em «Folha Informativa Mensal do DTIA» - Ano II, Abril de 1982 e em Autópsia a um Departamento Científico do Estado - Livro Branco do Departamento de Tecnologia das Indústrias Alimentares, p. 151); D. PEDRO V; DESGRAÇA; COMBOIO; FRANCISCO DE ASSIS; A MIGUEL TORGA; A GARCIA LORCA; O MENINO NEGRO; GUERREIRO; O NEGRO; A CRISTO; ARTISTA; QUANDO; DESCOBERTA; NOVO RUMO; AINDA; HOMEM; MENSAGEM (poema transcrito por mim, op. cit., p. 155)].

Neste ambiente, que vem de longe, começou e terminou no mesmo lance a carreira literária de Fernando Moniz Lopes. Perdeu-se um génio? O trauma infligido ao génio prematuro, levou a consequências negativas? Perdeu-se de tal modo que nunca mais tive notícia, nem da sua carreira, nem da sua própria existência. Dos seus pais nada mais soube também.
Fernando Moniz Lopes foi para Portugal e para a Cultura portuguesa uma estrela cadente que cortou o espaço, deixando um rasgo de luz que surpreendeu e que a minha memória recorda com extasiante admiração.

Fernando Vieira de Sá

Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

PROFETAS DA NOSSA TERRA

(Monumento a Bandarra, «poeta, profeta e sapateiro» - Trancoso, Agosto de 2010)

Na sequência das minhas anteriores notas sob a epígrafe «MS/AP - Um Socialista às Direitas», onde se escreve sobre profetas e profecias, não resisto a voltar ao tema com mais algumas palavras que, pensando um pouco, não deixam de ter algum interesse, relacionando-os entre si e analisando o fenómeno, comparando convergências quanto às suas respectivas génesis, o que já pode suscitar alguma teoria sobre ocultismo, dando ciência ao fenómeno.
Pensando em profetas não deixo de recordar, só por gentileza, a memória de nosso profeta de estimação que foi Bandarra (Gonçalo Anes de seu nome, natural de Trancoso, 1500-1566) - Bandarra, alcunha: adivinho, profeta, etc. - fazendo profecias de largo espectro, o que facilita a coincidência, por vezes perseguido pelo Santo Ofício da Inquisição, por razões de concorrência na arte de exibir espectros e previsões, fazendo com que em condições de grande perturbação nacional muito alimentasse o Sebastinismo: D. Sebastião chegaria numa manhã de nevoeiro. Era a profecia - D. Sebastião, o Desejado. Profecia que acabou em mito.
Excluindo este caso, mais de índole popular que de seriedade histórica, ficam outros dois, que em épocas distantes de 150 anos entre si, mais ano menos ano, vêm ilustrar a História de Portugal e que tiveram em comum o facto ocorrido em tempos de crise profunda, ou seja, a identidade na sucessão no trono que se expressa no Sebastianismo, E presentemente os dois períodos em que o primeiro foi o da Guerra Civil pela luta da Coroa que tinha por fundo dois regimes políticos rivais protagonizados pelos dois irmãos, Pedro e Miguel; e o segundo é o caso exposto no meu anterior apontamento, intitulado MS/AP - Um Socialista às Direitas». Só nos falta agora dissecar o profeta já bem analisado por Oliveira Martins no seu livro Portugal Contemporâneo, donde retirei algumas notas, as quais, por sua vez, já retiradas e discutidas no I volume dos Opúsculos, de Alexandre Herculano, sob o título «A Voz do Profeta», preenchendo 83 páginas. A personagem é Palmela (Duque), de seu nome de família D. Pedro de Sousa Holstein. Aí, nessas volumosas análises à volta da situação política revolucionária em que Palmela toma apenas o compromisso de travar as ideias revolucionárias (o mesmo que fez MS/AP, mais tarde, no tempo do PREC) de Mousinho. O profeta constrói a profecia, sabotando o futuro sem escrúpulos de consciência, usando o travesti de «Animal Político (AP).
Quanto ao hodierno caso já nos ocupámos quantum satis. Passou à história como profeta vivo e não original. Nem por isso negou a regra: «o profeta constrói a profecia», Pelo menos, nestes casos, foi assim. O segredo chama-se «Animal Político», o que quer dizer «Troca-Tintas», falta de honestidade e moral.
De Mousinho, Oliveira Martins escreve: «No sistema das suas ideias não entrava por coisa alguma a tradição: nem histórica, nem religiosa, nem aristocrática. Era um absolutismo individualista.» (Portugal Contemporâneo, Tomo II, 6ª ed., 1925, p. 120). Algo se sobrepõe no actual adivinho; algo existe nos dois momentos históricos; um amarrado à tradição (Palmela), outro apostando na evolução (Mousinho).

Mas, nem tudo é fado. Eu gosto de assustar: «Oh papão, olha o menino!». Sendo assim também tenho direito. Pensem no papão...

Portugal, um dia, terá uma governação que governe para todos os portugueses [evolução] e não apenas para aqueles de sempre [tradição],

0 que não deixa de ser glorioso e sensato. De qualquer modo a esperança é a última a morrer... um dia virá. Veja-se: aguarde-se a próxima crise financeira recidiva. É por aí que a ruptura cientificamente acontecerá, sem troca-tintas, mas por colapso do sistema capitalista global - já esteve mais longe. Fala o Bandarra (!) de outra cultura. Falo sério.
Não sou AP, e isto que escrevo não é profecia, mas obediência à teoria da evolução do capitalismo universal que se regula pelas leis do fluxo fiduciário global. Não sendo banqueiro não sei se as minhas expressões de ciência financeira serão muito correctas. As minhas desculpas! Para bom entendedor, meia palavra basta.
É bom não esquecer que a presente crise está longe de ter terminado, verificando-se ainda sinais graves da sua presença - desemprego, falências, aumento de custo de toda a ordem em sectores de primeira necessidade. Ao mesmo tempo, são as manifestações de rua em todos os países, reunindo milhões de afectados. Tudo isto quer dizer que a próxima ruptura é já de gravíssima expressão. A fome é má conselheira.
E tudo isto sem profecia, mas uma constatação exposta por Karl Marx nos seus livros Crítica da Economia Política (1859) e O Capital (1867).


Tudo é sabido. Então??? Não me digam que é a vontade de Deus que comanda o Mundo. Não acredito. Não sou assim tão má língua!

Fernando Vieira de Sá

Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

MS/AP– UM SOCIALISTA ÀS DIREITAS

Num destes dias de calor em que as nossas vontades vagueiam molengonas agindo levadas por um a espécie de fatalismo, olhando para as estantes sem nada procurar, esbarro com um livro já ausente da minha memória há mais de vinte anos, cujo título me dizia algo que à data da sua aparição suscitava alguma curiosidade, já que se apresentava na área da política como um Borda d´Água, neste caso sem cartola, mas com barriga avantajada, para dar informação útil e orientação política nacional. Daí a sua utilidade para qualquer cidadão. O dito livro, melhor dizendo, é verdadeiramente uma bíblia à base de visões e interpretações sobrenaturais de que só seres predestinados são dotados, um deles MS. Nesta bíblia marianesca são aos molhos os palpites, umas vezes bastando-lhe uma pequena frase, outras um discurso, mas tudo com o sinete de garantia MS.
Quando as coisas são aceites com devoção profética que se converte em fé, daí para a frente tudo se torna mais fácil. Basta saber-se que ele disse

«REVOLUÇÃO? (...) "O movimento vitorioso de 25 de Abril não pode ser considerado como um putsch militar, mas sim como um levantamento nacional das Forças Armadas imediatamente secundado pelas massas populares, pelo que foram verdadeiramente as Forças Armadas e as forças democráticas - numa palavra: o Povo - que reconquistaram a liberdade." (PS, 5.74)

[Pedro Ramos de Almeida, Dicionário Político de Mário Soares, Caminho, 1985, p. 631]

em pleno PREC, quando as ruas e as praças se atulhavam de multidão apoiando os militares em agradecimento, dando-lhe a sua adesão ao movimento que unia todo o povo sem outra alegria e fervor que não fora a liberdade conquistada ao fim de uma caminhada pelo deserto (Estado Novo), não para aqueles de consciência pesada que nesse momento já faziam as malas à pressa, levando consigo os valores financeiros surripiados à sombra da plutocracia vigente comprometida e que o governo de então tudo fazia para evitar.
Foi precisamente por este detalhe que MS foi tocado pela asa do anjo da guarda, dando-lhe a luz profética que o avisava da perigosidade em curso, fazendo-lhe ouvir o toque de rebate exigindo intervenção, o que evitaria que o país caísse na anarquia da rua levando-o, soube-o ele por angélico aviso, para aquilo que «nem os militares nem os cidadãos queriam para o país». Assim actuou. E actuou pela graça do anjo, segredando-lhe ao ouvido. Era a Voz do Alto em favor dos seus boys e tranquilidade da burguesia acochada.
A tarefa, desde logo, era hercúlea, mas MS, sempre aconselhado pelo seu instinto de nigromante personalista, sempre impelido pelo seu raro instinto, conhecido na gíria por «Animal Político» (AP), talvez por os seus procedimentos pouco ou nada lícitos, meteu ombros à tarefa, invertendo o curso da história e da vontade do povo bem patente.

«"No meu entender não se trata, propriamente, de um 'golpe de Estado' no sentido técnico da palavra. Trata-se de um 'pronunciamento' unânime das Forças Armadas, em uníssono com as mais profundas aspirações do Povo português, e que é um facto muito mais transcendente e muito mais importante." (Entrevista a ATS, concedida a 29.4.74, S.º

[op. cit., p. 631]

Neste livro – Dicionário Político de Mário Soares, cit. – transcrevem-se em pormenor intervenções políticas por si registadas em diversas ocasiões, como foi o caso da intervenção das chancelarias e governos gringos como se pode ler na fonte donde se reproduz o texto. Só assim se acredita:

«1974: MS salienta a esperança que põe na mudança de embaixador dos Estados Unidos e na chegada de Carlucci, director-adjunto da CIA, como embaixador: "Penso - diz ele - que o sr. Scott, que não era diplomata de carreira e era um velho amigo do sr. Nixon, foi muito normalmente substituído por uma equipa que encontrei em Washington e que me pareceu estar animada das melhores intenções a nosso respeito." (Le Monde, 24.12.74).

«grandes serviços»
1988: No regresso da sua visita aos EUA, MS destaca várias reuniões, entre as quais o jantar que lhe foi oferecido em Washington por Frank Carlucci, presidente da SEARS. (D.º, 16.3.84).
- MS, no regresso da sua visita aos EUA, referiu aos jornalistas «os grandes serviços» prestados por F. Carlucci em 1975, em Portugal. (D.º, 16.3.84).»

[op. cit., pp. 81-82]

Vender a alma ao diabo só realmente um grande animal. Fora de dúvida a conspiração passa pela desbragada intervenção estrangeira para esmagar o que, de acordo com o aviso celeste transmitido pelo chamado palpite, que mais não foi do que o auto-achincalho da sua própria dignidade e inteligência perturbada em nome de ódios de estimação e outros alvos em mira, estes mais pessoais, tudo se jogando, incluso o patriotismo, levando a que forças estrangeiras matem portugueses se necessário for. Portugueses que se batem pelos seus genuínos valores e direitos, embora MS/AP tenha prometido que não seria como no Chile, coisa que ele não podia garantir.

«CHILE E CUBA

VIAS: CUBA NÃO, CHILE SIM?

1972: A questão das vias para a democracia e o socialismo não tem segredos para MS: "(...) a diferença entre as duas preconizadas pode ser exemplificada, grosso modo, por duas experiências fundamentais em curso na América Latina: Cuba e Chile. Não me parece que uma experiência como a de Cuba possa repetir-se, em países como Porugal ou como a Espanha. Mas ainda que a reputasse possível, não a supunha nem necessária nem sequer desejável para o País. Quanto a isso tenho uma posição que não permite o menor equívoco, por mais apreço que me mereçam alguns dirigentes cubanos, Fidel Castro, em particular. Pelo contrário, uma experiência do tipo chileno, respeitadas as idiossincrasias de cada país [fala do Chile de Allende, um ano antes de Pinochet], parece-me perfeitamente exequível". (MS, Portugal Amordaçado, pág. 722)

CUBA NÃO, CHILE NÃO?

1976: MS escreve: "Temos pois que nos unir, todos os portugueses conscientes, para evitar o Chile. Como evitámos Cuba". (PS, 14.1.76)

CHILE EM PORTUGAL?

1974: "(...) Não podemos deixar a possibilidade da contra-revolução a pesar sobre as nossas cabeças e permitir que o País se torne um novo Chile. Penso que devemos expurgar todas aquelas pessoas responsáveis pela morte de muitos dos nossos chefes políticos durante a ditadura. A menos que façamos algo nesse sentido, eles poderão levantar-se, arrebatar o poder e executar-nos como aconteceu no Chie". (Entrevista à Newsweek, cit. in DL, 26.5.74).

1976: "Para certos peritos comunistas, Allende deveu essencialmente o seu fracasso à liberdade de imprensa que ele teve a imprudência de consentir aos seus adversários. 'Aconselharam', pois, os camaradas portugueses a não repetir o erro fatal. Não foi preciso dizer-lhes isto duas vezes..." (MS, Portugal: Que Revolução?, pág. 131).»

[op. cit., pp. 80-81]

Nesta bíblia marciânica são aos molhos os argumentos demonstrativos da saga que os seus pressentimentos exigem para lograr secretos intuitos sem limites para a consciência e pudor, como se pode ilustrar com amargura e consternação desmentindo as suas próprias palavras enxovalhadas, quase uma antropofagia de decoro.
Em conclusão, MS/AP usou rigorosamente os mesmos ogres usados por Salazar que lhe permitiu a política do medo que todos conhecem e que no caso presente foi usado nos extremos da vergonha, violência psíquica e ameaças de dividir Portugal em dois, levando o governo para o Porto, episódios indecorosos que não podem ser esquecidos nem sequer abafados e que estão na base da liberdade constitucional concebida na antiga Grécia, que só era aplicável ao cidadão, ou seja, o indivíduo livre por nascimento, ficando de fora o escravo que, como tal, nasce sem direitos. É nisto que está a diferença. Assim, o grande socialista de gaveta só concebe a democracia de hoje, quando põe em lugar do escravo o trabalhador assalariado. É aí, neste pormenor, que nascem todas as divergências. E assim, o AP sabe mais do que o que o seu pai espiritual lhe ensinou:
«1977: Intervenção de MS, como Primeiro-Ministro de Portugal de visita aos EUA na recepção que a 22-4-77 lhe foi oferecida em Nova Iorque pelo Sindicato Internacional dos Trabalhadores em Roupas de Senhora e pelos sociais-democratas (destaque-se que antes tinha sido lida uma mensagem de George Meany e tinham discursado Sol Chaikin, presidente do Sindicato e Bayard Rustin, presidente dos sociais-democratas): "Quero começar por agradecer as palavras bondosas que me dirigiram - palavras que não mereço. A verdade é que, em Portugal, foi a resistência do povo português que conseguiu o milagre de dominar a ameaça dos comunistas quando eles controlavam os meios de comunicação social, se infiltravam nas Forças Armadas do nosso país e estavam de facto prestes a formar uma nova polícia política... O PS foi apenas o líder desse movimento. Nessa tarefa fomos ajudados por todos os partidos sociais-democratas do mundo, por todos os sindicatos livres e também aqui, nos Estados Unidos, encontrámos essa solidariedade. Quero, nesta altura, apresentar os meus agradecimentos, como fiz ao presidente Meany quando estive em Washington, pela solidariedade que nos foi prestada pelos sindicatos americanos e sociais-democratas americanos." (AFL-CIO, "Notícias do Sindicalismo Livre", vol. 32, 5.77).»

[op. cit., pp. 119-120].

Com esta apresentação, e apesar dos anos passados sobre a publicação da dita bíblia mariola, sem discussão conhecida, parece ser tempo de tirar conclusões com todo desforçado labor em favor das consciências e do futuro das gentes portuguesas, das quais fazemos parte de corpo inteiro, sem ideais congelados, sem necessidade de consultar os anjos, e não tendo aspirações políticas, muito menos querendo ser Presidente da República, ou talvez mesmo Papa se o milagre o justificar e converter-se à Bíblia Sagrada, o que não seria inédito na família Soares.
Assim e antes de tudo que possa ser comentado – e seria muito.

É tempo de perguntar e concluir:

1º - Se MS/AP já tirou da gaveta o socialismo, dado que em tempos idos o próprio informou o país que havia guardado o socialismo na gaveta (palavras suas, na TV, que ecoaram por todo o país) não constando se já o tirou, e sem ranço ou mofo, pois faz toda a diferença saber por razões de garantia de higiene social. E se, já em liberdade e após a deportação; teria renascido em boa saúde, dado o período de inactividade em clima de ar fusco. Só assim se poderá aquilatar do estado moral e físico, após o sequestro a que foi submetida a bagagem ideológica do profeta, para se poder fazer juízo de valor. Tudo isto é complicado, mas é indispensável bater o mato e a respectiva fauna predadora, desde o cuco à águia de rapina.

2º - Pela intervenção de MS/AP, acolitado por equipa especialista, lembrando só o Chile, matando Allende e pondo Pinochet na presidência do país. Agora é a viragem ideológica do 25 de Abril de mão dada com a mesma equipa terrorista de Estado, como se lê nas pp. 81-82 já citadas, e aqui em Portugal reforçada pela facção residente, igualmente bem credenciada por larga folha de serviços. É bom lembrar que não é só a Al-Qaeda que opera no mundo, não sendo sequer a mais perigosa.

EPÍLOGO

Analisando agora o desastre governativo que está afundando o país diariamente num dos mais negros momentos da sua história, é lógico que se conclua que o fecundo padreador Operacional que foi MS/AP, com o exercício dele próprio como Presidente da República, e antes como Primeiro-ministro, indiscutivelmente o táctico da Contra-Revolução e, como tal, face à folha de serviço e ao «Animal Político» a quem se tem de exigir explicações chamando-o à barra de um Tribunal de Consciência, não de passa-culpas ou intriga de saguão, frente ao processo evidente dos seus palpites, verbi gratia as suas íntimas aspirações políticas.
Assim:
Além de ideólogo, também foi táctico e estratega de todo o processo, verdadeiro «Animal Político» no pior dos sentidos, É de toda a evidência que neste processo MS/AP actuou profundamente como "ditador" singular, com um poder que ninguém lhe deu e que pela intervenção estrangeira lhe caiu nos braços. Consequentemente, o dito «Animal Político» não é contra as ditaduras, ele próprio foi "ditador" com a protecção da plutocracia vinda pela mão dos EUA (governo, embaixada), também portuguesa bem conhecida, enquanto o socialismo vegeta na gaveta à espera de oportunidade mais rentável. Ele só não admite a ditadura do proletariado à face da democracia moderna. Não seria tempo de revisitar a História e desmantelar todo este rol de disfarces e intrusões com o fito de não abalar o sistema capitalista, sob a intuição de um socialista que engaveta o próprio idealismo quando lhe dá na real gana? Para onde vamos? Ninguém sabe nem arrisca. Entretanto, há quem não perca tempo e se aproveite da maré («Só em 2010 portugueses aplicaram 1,2 mil milhões de euros em "offshores"», lê-se em artigo assinado por Paula Cordeiro no Diário de Notícias de 23 de Agosto de 2010): As fortunas começam a medrar no auge da crise como cogumelos, enquanto o desemprego e os impostos aumentam, os salários e os benefícios sociais definham; tudo à base de um socialismo engavetado. Obrigado, mas não queremos mais. Chega!
Em relação a MS/AP pouco adianta escrever mais. O seu travesti já está bastante amarrotado e com nódoas que não saem nem com lixívia… só resta dizer «Good bye boy». Para anjos basta o Céu.
Mas nada disto dispensa desmascarar autores e actores desta trágico-comédia que já foi longe de mais. Mais tarde, abatida a dor pelo correr do tempo, contabilizar-se-á o que se fica a dever aos palpites e profecias do anjo que iluminou a história com todas as consequências à vista, que se confunde com um espectáculo circense: ilusionismos, equilíbrios na corda bamba e outras artes de circo de feira. E para guião manter-se-á o Borda d’Água político do inefável MS/AP. escrito com as suas próprias palavras e ideias ao longo da sua vida. Em bom calão cá do bairro diz-se: «É preciso ter lata!».
Para acabar: a crise mundial vai acabar, mas volta. Não foi a primeira e não será a última. É cíclica. Todos o sabem porque os critérios da distribuição da riqueza do país, produzida pelo trabalho, não se alteraram. À causa segue-se o efeito.

«ESCOLHA OBRIGATÓRIA

1983: MS define assim uma opção (obrigatória) que se poria ao PCP, no discurso com que encerrou a discussão do programa do governo PS/PSD: "Um partido como o Partido Comunista, vivendo numa situação democrática pluralista e pluripartidária, como é a nossa, tem que escolher entre duas posições. Ou joga o jogo da Democracia e, obviamente, é aceite como um partido democrático, com tudo o que isso implica, ou não joga o jogo da Democracia, mas sim o da desestabilização e então o comportamento das forças democráticas em relação a ele tem que ser outro."»

[op. cit., p. 393]

Ora aqui está: «Façam o que eu digo, mas não o que eu faço». Depois de tudo o que aqui se recorda sobre as opiniões de MS e principalmente respondendo ao seu cognome AP, no caso presente pergunta-se: quem fez a escolha obrigatória, ao ponto de ter de se socorrer de forças estrangeiras, sem vergonha, sem pudor, ditatorialmente? Não há palavras para definir. Mas, sinteticamente, a alcunha de «Vilão de Consciência» responde melhor à prática em questão: a de «Animal Político» é injusta por meter todos os políticos no mesmo saco. Convém separar os campos: nem tudo é restolho.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, Agosto de 2010