quarta-feira, 20 de julho de 2016

Há 102 anos, em Alcântara (Lisboa)

Fernando Vieira de Sá nasceu em Lisboa no dia 20 de Julho de 1914. 

Nunca ter medo, nunca vergar ou viver de cócoras, viver sempre de cabeça levantada eram as suas divisas. Deixou-nos uma obra e um valiosíssimo exemplo de vida.

terça-feira, 15 de março de 2016

A VIDA É...

«A vida é como os alcatruzes de uma nora árabe. São os altos e baixos que fazem o verdadeiro ritmo da existência, pois se não fosse a água que eles elevam, a fertilidade dos solos não se teria manifestado.» 

F. Vieira de Sá, Viagem ao Correr da Pena, Moinho de Papel, 2004.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

NUNCA TER MEDO, NUNCA VERGAR OU VIVER DE CÓCORAS...

F. Vieira de Sá, 20 de Julho de 2013 (pormenor de foto de Luís Guerra)

«Fernando Vieira de Sá nasceu em 1914, em Lisboa, no dia 20 de Julho. Partiu na manhã do dia 15 de Março de 2015. [...] Nasceu em 1914, atravessou o século XX das Guerras e das Utopias, correu mundo ao serviço da FAO, conheceu variadas gentes e culturas, entrou decididamente pelo século XXI dentro. Nunca se cansou de aprender, de intervir, de sonhar um mundo melhor e sem injustiças. Nunca ter medo, nunca vergar ou viver de cócoras, viver sempre de cabeça levantada eram as suas divisas.» 


Luís Guerra

sábado, 2 de maio de 2015

«¡LEVANTEMOS NUESTRAS VOCES Y NUESTRA COPA PARA CELEBRAR LA VIDA DE AQUÉL QUE VIVIRÁ SIEMPRE EN NOSOTROS!»

Recebemos, no passado dia 26 de Março, uma sentida e comovente mensagem de Magaly Sala [filha de D. Victorio Sala, um grande amigo que Vieira de Sá conheceu no México e de quem nos fala em Viagem ao Correr da Pena (pp. 396 e ss.)] que aqui reproduzimos hoje com a devida autorização. Obrigado, Caríssima Amiga Magaly. 

Aproveitamos para responder à questão que nos coloca, informando todos os amigos que este blogue continuará aberto a outros depoimentos que, como este, queiram celebrar a vida do saudoso Amigo Vieira de Sá. Em breve contamos publicar o primeiro de vários depoimentos sobre a reconhecida importância do seu percurso profissional e os caminhos que desbravou e abriu para o futuro.


Muy estimado amigo Luis,

Es con profunda tristeza que acogemos la noticia y le agradecemos que haya pensado en nosotros. Gracias a usted, hemos podido seguir los acontecimientos de la vida de ese hombre excepcional. ¿Quedará su blog vigente todavía? Nos deja en él, un testimonio de un valor inestimable, que quisiera poder leer con atención.

Al irse, Fernando Viera de Sá deja un enorme vacío, tanto personal, como intelectual y humano. Pocas personas pudieron reunir, como lo hizo él, tantas cualidades. Hombre de ciencia, hombre de luchas, de integridad, escritor apasionado por el mundo y sus dolencias, solidario, generoso, revolucionario, y portador de esa gentileza y finura propias a un verdadero caballero. Los que como yo, tuvimos el privilegio de conocerle, junto con su maravillosa esposa, María Elvira, y de llamarlo amigo, de haberlo hecho parte de nuestras vidas, a pesar del tiempo y las distancias, podemos decir que él nos ha hecho ser mejores personas, por su ejemplo, sus ideas, su bondad y generosidad. Los males de la sociedad, las injusticias las vivía con profunda indignación y, con su pluma, arrojaba luz sobre las raíces de tales iniquidades. Su vivacidad, su sonrisa y buen humor, a lo que puedo ver, lo acompañaron hasta sus últimos días. ¡Levantemos nuestras voces y nuestra copa para celebrar la vida de aquél que vivirá siempre en nosotros! ¡Salud, amigo Fernando, siempre!

Muy cordial saludo,

Magaly Sala y familia

Montréal, Qc

quinta-feira, 30 de abril de 2015

SÓCIO HONORÁRIO DA SPCV I DOAÇÃO DO ESPÓLIO TÉCNICO-PROFISSIONAL


«[...] em assembleia geral da Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias, realizada no dia 27 de março passado, foi aprovada por unanimidade a Atribuição, a título póstumo, do título de Sócio Honorário ao Dr. Fernando Vieira de Sá. A atual Direção considera a atribuição desta distinção, como uma forma de reconhecimento do trabalho realizado por seu pai que dedicou a sua vida à Medicina Veterinária, nomeadamente na área de produção leiteira e lacticínios.
[...]
Ficaríamos muito gratos pela doação do espólio bibliotecário de seu pai à SPCV, mas tive agora conhecimento que a nossa Faculdade já aceitou esta oferta o que também muito nos satisfaz porque assim, as obras em referência ficarão disponíveis para um número muito mais alargado de interessados, incluindo os estudantes do nosso curso de Mestrado.» 

[Excerto de mensagem enviada a seu filho, Eng. José Manuel Vieira de Sá, pelo Presidente da SPCV, Prof. Doutor Carlos Martins]


A distinção foi recebida pelo seu filho, José Manuel Vieira de Sá, 
no dia 26 de Fevereiro de 2016, na UTAD - Universidade de rás-os-Montes e Alto Douro.

quinta-feira, 26 de março de 2015

VIVE AGORA NO REINO DA MEMÓRIA

Lisboa, 20 de Julho de 2014, dia do 100º Aniversário. Foto de Luís Guerra

Fernando Vieira de Sá nasceu em 1914, em Lisboa, no dia 20 de Julho. Partiu na manhã do dia 15 de Março de 2015. Nesse mesmo dia, por razões de ordem pessoal, aterrava eu em Paris, onde uma mensagem telefónica me levou a notícia deste seu derradeiro voo. Dado de imediato o abraço solidário ao seu filho José Manuel e, através dele, a toda a Família Vieira de Sá, só hoje consigo alinhavar algumas breves palavras, que aqui vos deixo, no blogue criado para divulgar a sua vida e a sua obra e onde se manteve, enquanto quis e pôde, activamente interveniente.

Nos últimos tempos, quando o visitava, as nossas conversas passavam muito pelos temas da vida, da velhice, da solidão, da sensação estranha que é viver-se num mundo em contramão. 

Ao recorrente “Que bom ter 100 anos!” com que o brindavam, respondia com a sua fina ironia: “Que experiência tem você disso? Quando chegar à minha idade, venha ter comigo e então falamos!”

Conhecemo-nos nas Edições Cosmos onde, nos anos noventa do século passado, trabalhei como coordenador editorial. Aí editámos o seu O Reino da Estupidez nos Caminhos da Fome – Memória de tempos difíceis (Julho de 1996), com Prefácio de Eduardo Moradas Ferreira. Sim, na mesma Cosmos em que se estreou como autor das obras O Leite na Alimentação Humana (Maio de 1945) e Os Derivados do Leite na Alimentação e na Indústria (Junho de 1945), na célebre «Biblioteca Cosmos» de Bento de Jesus Caraça. O volume Biblioteca Cosmos – Um projecto cultural do Prof. Bento de Jesus Caraça, editado pela Fundação Calouste Gulbenkian em Novembro de 2001, deu-o (p. 21) como tendo falecido em 1979. O que ele ironizou e riu (rimos) com este facto! As «provas de vida», muitas delas, ainda estavam para vir.

Haveríamos de editar, agora com a chancela da Moinho de Papel (minha e da Maria de Lurdes, minha companheira de vida e sua muito amiga e admiradora), os livros de memórias Cartas na Mesa – Recordando Bento de Jesus Caraça e a «Biblioteca Cosmos» (Abril de 2004), com Prefácio de Manuel Machado Sá Marques, Viagem ao Correr da Pena (Dezembro de 2004), com Apresentação de Urbano Tavares Rodrigues, Ecos do México – Da História e da Memória (Outubro de 2005), com Prefácio de Miguel Urbano Rodrigues, e Autópsia a um Departamento Científico do Estado – Livro Branco do Departamento de Tecnologia das Indústrias Alimentares, com Apresentação de Eugénio Rosa. Este último, veio a lume no 1º de Maio de 2008 e abre com uma bem expressiva dedicatória: «Dedico este trabalho de selecção documental e de crítica de processos a todos os servidores da Função Pública, independentemente de categorias, vínculo ao Estado ou precariedade de funções. Fraternalmente, Fernando Vieira de Sá».

Mas o mais importante destes nossos caminhos cruzados foi a sólida amizade que construímos (no início ainda com a presença serena da Maria Elvira, sua companheira de muitos anos de vida a dois), partilhada com a Maria de Lurdes, com os nossos três filhos e, mais recentemente, com a minha mãe. Sentíamo-lo como um membro da nossa família. Mostrou-nos muitas vezes que esse sentimento era, nele, recíproco e muito profundo. Foi um enorme privilégio tê-lo como Amigo.

Nasceu em 1914, atravessou o século XX das Guerras e das Utopias, correu mundo ao serviço da FAO, conheceu variadas gentes e culturas, entrou decididamente pelo século XXI dentro. Nunca se cansou de aprender, de intervir, de sonhar um mundo melhor e sem injustiças. 

Nunca ter medo, nunca vergar ou viver de cócoras, viver sempre de cabeça levantada eram as suas divisas. 

Deixa-nos uma obra e um valiosíssimo exemplo de vida.

Vive agora no reino da memória.

Luís Guerra
26 de Março de 2015

domingo, 20 de julho de 2014

F. Vieira de Sá | 100 anos (Mensagens)

Memória de um encontro no Jardim da Estrela, Maio de 2013. Foto de Maria de Lurdes Guerra

100 anos! Fernando Vieira de Sá, muitos parabéns por esta tão bela data.

Com muita amizade e admiração,

Maria de Lurdes Guerra


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Hoje de manhã comuniquei com o Vieira de Sá para lhe dar um abraço muito apertado e de grande satisfação pelo seu aniversário. 100 anos! Como estamos gratos a este querido Amigo, exemplo de GRANDE CIDADÃO! Queremos continuar a usufruir do seu convívio e dos seus ensinamentos!

Manuel Sá Marques

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Caro Amigo, 


A Maria Eduarda e eu, embora fora de Lisboa, não queremos deixar passar este dia sem lhe dar os parabéns expressar a satisfação que nos dá o seu Centenário! Embora não tenhamos tido a oportunidade de nos encontrar ultimamente, a Maria Elvira Gonçalves vai-nos dando notícias. Nas nossas conversas o Fernando está presente nas recordações que nos ligam, na camaradagem que mantivemos e nas lutas anti-fascistas e pela liberdade e uma democracia social em que sempre participámos. É neste espírito que lhe enviamos um apertado abraço.


Maria Eduarda e Mário Ruivo

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Meu caro Fernando Vieira de Sá

Escrevi por extenso o seu nome porque é sempre mais uma maneira de lhe dizer: belo nome de Amigo para uma tão extensa e tão preenchida vida. Diria mais e perguntar-lhe-ia ainda mais uma coisa: qual é o segredo e qual é a força da resistência que teve e tem dentro de si, para que nós, os que o admiramos, possamos dizer: aqui está, em FV de Sá, um Ser e um Modo de dar sentido à vida.

PARABÉNS.

António Neves Berbém

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Em complemento do telefonema de hoje, aqui fica o testemunho da grande admiração pelo Dr. Vieira de Sá, neste dia tão especial.

Um grande abraço,

José Diogo Gonçalves

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Querido Tio Fernando,

Há anos que o ouço responder à gracinha de gente inocente - "O Fernando ainda há de chegar aos 100" com um irritado e tão típico "Não me lixem!" seguido de uma gargalhada meio irónica, meio orgulhosa do seu humor ácido.

Nenhum de nós faz a mínima ideia do que é ter 100 anos, do que é ter assistido de ponta a ponta ao desenrolar de um século. Ainda por cima um século que trouxe tantas diferenças à forma como vivemos, como comunicamos. 

No entanto, o Tio com a sua eterna força de vontade e tremenda disciplina conseguiu caminhar por todos estes desenvolvimentos. Marcou cada etapa com amigos e inimigos - sinal de que travou batalhas por aquilo em que acredita. Deixou em cada passo um património de factos, de documentos, de conhecimento que conquistou de forma inquisitiva e perspicaz. Partilhou a sua vida com o seu grande amor - a Maria Elvira - que o guiou com a sua prudência, serenidade e grande intuição. Adaptou-se sempre às circunstâncias e como sempre me dizia - transformou o melhor que soube os piores momentos em oportunidades. Um verdadeiro "globetrotter", percorreu o mundo e absorveu o mais que pode. Estou segura que poucas pessoas com 100 anos têm o privilégio de os ter preenchido de forma tão intensa e tão rica como o Tio fez.

No entanto, consigo ouvi-lo dizer na minha cabeça: "de que é que isso me serve?" 

Não tenho a resposta a isso, tenho apenas as poucas palavras de imenso apreço que tenho por si, do que sempre me ensinou, da inspiração que me dá todos os dias, do papel emocional que teve na minha vida ao representar um avô que nunca cheguei a conhecer (e que suspeito que em feitio terá tido muito em comum consigo). Espero que isso seja suficiente para lhe encher o coração neste dia tão especial para si e para todos nós que o estimamos e que temos tido o privilégio de acompanhar, partilhar e assistir consigo neste seu tremendo percurso. 

Um grande beijo emocionado, esperando poder dar-lho em pessoa daqui a uns poucos dias.

Com muita amizade,


Xana


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100 anos. Uma data memorável.

Desejo-lhe um feliz aniversário, Dr. Vieira de Sá.

Beijinhos da Sandra (Ex- UIL - INETI)

Sandra Pinto da Silva

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Meu caro amigo!

Os meus sinceros parabéns por esta bonita idade! Desejo muito que entre em mais uma etapa com muita saúde. Quem sabe se um dia destes não irei aí dar-lhe o meu abraço! Neste momento fica um abraço do tamanho da distância que nos separa.

A minha Amizade!


Angelina Barbosa


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Querido Amigo Fernando Vieira de Sá

Os seus admiradores e amigos da Revista Seara Nova saúdam-no com entusiasmo ao festejar mais um aniversário.

Muitos parabéns!

Saudações Seareiras.

Pelo Conselho Redactorial,

Levy Baptista
, Director


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Companheiro!

Com grande alegria, cumprimentamos o nosso Amigo Fernando Vieira de Sá ao completar magníficos cem anos!

Ao longo dos tempos habituámo-nos a aprender com as reflexões políticas, culturais e profissionais do querido Dr. Fernando Vieira de Sá.

Aceite as nossas saudações democráticas, reveladoras de profunda amizade e respeito.

Efusivos parabéns!

Pela Comissão Directiva da 
Associação Intervenção Democrática-ID

João Corregedor da Fonseca, presidente

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Sim senhor, não é pouca coisa. Aqui das terras do Brasil, por onde também andou o Dr. Fernando, em sua incansável peregrinação pelo mundo a fora, enviamos - embora um pouco atrasados - um forte abraço de admiração.
Gentil e Jó
Rio de Janeiro, 26 de Julho de 2014

FERNANDO VIEIRA DE SÁ FAZ HOJE 100 ANOS.

Há 100 anos, no dia 20 de Julho de 1914 (segunda-feira), nascia em Alcântara, na cidade de Lisboa, onde reside, Fernando Peixoto Vieira de Sá, filho de Mário Pedro de Alcântara Vieira de Sá (1888-1979) e de Maria Luiza Bandeira Peixoto (1891-1982).

PARABÉNS, VIEIRA DE SÁ!

                                      Lisboa, 20 de Julho de 2014 (Foto de Luís Guerra)

Médico veterinário, licenciou-se na Escola Superior de Medicina Veterinária e tirou o curso de Medicina Sanitária do Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge. Foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura no National Institute for Research in Dairyng e na Universidade de Reading, em Inglaterra.

Fez parte dos quadros técnicos da Direcção-Geral dos Serviços Pecuários e da Junta Nacional de Produtos Pecuários. Exerceu funções de consultor técnico na FAO, Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Uinidas, tendo assessorado programas de desenvolvimento e produção em vários países. Dirigiu a secção de Indústrias Lácteas do Instituto Nacional de Investigação Industrial e, como investigador-coordenador, assumiu a direcção do Departamento de Tecnologia das Indústrias Alimentares do Laboratório Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial.

Foi secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias, director da Revista de Ciências Veterinárias e colaborador assíduo de revistas e jornais. Participou activamente em diversos simpósios e congressos, nacionais e internacionais, de Biotecnologia, Leitaria e Produção Animal.


Publicou, entre outras obras, O Leite na Alimentação Humana, Cosmos, 1945; Os Derivados do Leite na Alimentação e na Indústria, Cosmos, 1945; Lechería Tropical, Unión Tipográfica Editorial Hispano-Americana, México, 1965 / La Habana (edição revolucionária), 1967; As Cabras, Livraria Popular Francisco Franco, 1982; As Vacas Leiteiras, Clássica Editora, 7ª ed., 1988; O Leite e os Seus Derivados, Clássica Editora, 5ª ed., 1988; A Cabra, Clássica Editora, 2ª ed., 1990; O Leite em Lisboa - História do Seu Abastecimento, Clássica Editora, 1991; O Reino da Estupidez nos Caminhos da Fome. Memória de Tempos Difíceis, Cosmos, 1996; Cartas na Mesa - Recordando Bento de Jesus Caraça e a «Biblioteca Cosmos», Moinho de Papel, 2004; Viagem ao Correr da Pena, Moinho de Papel, 2004; Ecos do México - Da História e da Memória, Moinho de Papel, 2005; Autópsia a Um Departamento Científico do Estado - Livro Branco do Departamento de Tecnologia das Indústrias Alimentares, Moinho de Papel, 2008.

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AOS AMIGOS DE F. VIEIRA DE SÁ

Se deseja mandar depoimento ou mensagem para assinalar o 100º Aniversário de F. Vieira de Sá pode fazê-lo através do endereço f.vieiradesa@gmail.com. Teremos todo o gosto em publicá-lo(s) aqui. Se preferir, pode também utilizar a caixa de comentários desta mensagem.

Obrigado!

Luís Guerra
Lisboa, 20 de Julho de 2014

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

RECORDANDO URBANO TAVARES RODRIGUES

clicar na imagem


Prova do Prefácio e fotografia da sessão de lançamento do livro Viagem ao Correr da Pena, de Fernando Vieira de Sá (Associação 25 de Abril, 28 de Janeiro de 2005). Urbano Tavares Rodrigues prefaciou e apresentou a obra.

sábado, 3 de agosto de 2013

RECORDAR É VIVER


Este meu livro, de Julho de 1996, não foi bem recebido pelos leitores que eventualmente me lêem, argumentando falta de respeito que a pátria exige a todo o cidadão.

A verdade é que os ditos caminhos continuam em força, sendo hoje cada vez mais evidente que o desastre se aprofunda, pois os sintomas estão na vida do cidadão comum. Contudo, nada se faz para evitar o desastre, deixando os bolsistas usar o sistema em forma universal.

O livro está cada vez mais actual, apesar dos seus dezassete anos de idade. Daí esta lembrança que incomoda o "patriota".

Fernando Vieira de Sá

sábado, 20 de julho de 2013

Fernando Vieira de Sá, 20 de Julho de 2013
[Foto de Luís Guerra]

Fernando Vieira de Sá nasceu em 20 de Julho de 1914 em Alcântara - Lisboa, faz hoje 99 anos.




PARABÉNS, VIEIRA DE SÁ!

Com muita amizade,

Maria de Lurdes Guerra  e Luís Guerra

[As fotos, de Março de 2013, registam momentos de uma visita]

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

DIA DE LOS MUERTOS

«Posada quer mostrar por forma dura e crua que, por mais que os vivos se disfarcem com largos chapéus e ricas plumas e outros adornos enfiados nos crânios das damas da alta sociedade, na morte tudo se reduz a um montão de ossos e a uma caveira horrenda, igual a todas as outras. Com a morte finda a jactância.
[...]
Chama-se ao dia Dia de los Muertos. O que se passa? Nesse dia, em vez da visita aos cemitérios para depor algumas flores (geralmente crisântemos) nas campas dos entes queridos e rezar (os crentes) uma oração evocativa, no México a celebração não fica por aí [...] Nesse dia, amigos e familiares dos seus defuntos de saudosa memória presenteiam-se com caveiras de açúcar feitas por confeiteiros especialistas na arte e vendidas em todas as confeitarias. As ditas caveiras assumem variadíssimos tamanhos, cores, adornos e expressões, todos de toque brincalhão, apelativo de qualquer intenção particular e caricatural, não lhe faltando a quadra escrita na testa sempre graciosa e com segundos sentidos. Os adornos podem ser vários, mas vulgar é a reprodução em açúcar da emblemática Calavera Catrina, de Posada, tão popular no México, como em Portugal é o célebre «Ora Toma» de Rafael Bordalo Pinheiro ou o «Galo» de Barcelos.»

Fernando Vieira de Sá, Ecos do México - Da História e da Memória, Moinho de Papel, 2005

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A LATA


UMA NOTA QUE NÃO PERDE ACTUALIDADE

Já tinha resolvido selar este meu blogue. Porém, falta-me a força para evitar uma excepção, perante a lata de quem se atreve a censurar quem quer que seja. O Senhor Soares meteu o socialismo na gaveta, o que ele próprio anunciou, e não há notícia de o ter tirado e, como tal, sucedem factos que neste mesmo blogue se ilustram com repugnância, como acontece com este artigo do Diário de Notícias de 9 de Outubro de 2012 - cuja chamada de primeira página se reproduz, com a cara de ovo estrelado - onde revela um impudor que envergonha a política ou qualquer um que seja.

Aqui fica o meu grito, não de regozijo, mas de tristeza.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 10 de Outubro de 2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

«DERROTA É TER MEDO DO FUTURO»

«Se a minha vida parece ter sido uma vida atribulada de mudanças, discussões, lutas e desilusões, devo confessar que adorei todos os momentos que vivi, inclusivamente os mais difíceis, mesmo quando a luta se perspectivava com a minha derrota. E foram precisamente estas passagens as que mais me ajudaram em todos os sentidos. Nunca senti ou experimentei a derrota, porque derrota não é deixar de ganhar um balúrdio de notas ou não usufruir de compadrios vantajosos. Derrota é ter medo do futuro. Mas, para isso é preciso acima de tudo confiança em si próprio. É gostar daquilo que se faz e por que se luta, tanto no trabalho como na vida em geral, mais igualitária e sem subserviências.»

Fernando Vieira de Sá, Cartas na Mesa - Recordando Bento de Jesus Caraça e a «Biblioteca Cosmos», Moinho de Papel, 2004.

Fernando Vieira de Sá nasceu em Lisboa no dia 20 de Julho de 1914 na freguesia de Alcântara, em Lisboa, cidade onde vive. 

Parabéns, Vieira de Sá, pelo seu 98º Aniversário, mas sobretudo pela Amizade e pelo exemplo de Vida!

Luís Guerra

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

TUDO ISTO EXISTE / TUDO ISTO É TRISTE / TUDO ISTO É FADO


«Soares lança livro, "mas não são memórias" - O antigo Presidente da República Mário Soares vai lançar o livro Um Político Assume-se - Ensaio político e Ideológico no próximo dia 30, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, anunciou ontem o próprio à agência Lusa. No final de uma entrevista, no seu gabinete na Fundação Mário Soares, na capital, o antigo Chefe do Estado mostrou apenas a capa e contracapa do livro, editado pela Temas & Debates, editora do Círculo de Leitores, que será também lançado no Porto, no dia 5 de Dezembro. O ensaio, cujo processo de escrita demorou mais de dois anos, "não são memórias", vincou Mário Soares, ironizando: "Há por aí quem quisesse que eu escrevesse as minhas memórias, mas não são memórias."»
Diário de Notícias, 10-XI-2011


Segundo a notícia Mário Soares, para satisfazer os seus admiradores, fez-lhes a surpresa escrevendo-lhes um livro, mas desde logo avisando-os que não é de memórias, o que mostrou bom senso, pois seria de muito mau gosto recordar o engavetamento perpétuo do seu socialismo e, pior do que isso, o ter-se associar-se a um agente da CIA, de seu nome Carlucci, encaminhando o país para o atoleiro de arena do "Império do Capitalismo" decadente, desde logo sofrendo as leis da evolução histórica de todos os impérios, v. g. o Império Romano.

Só para terminar, fico curioso para ver como é que Soares se vai descartar das nódoas que lhe caíram no seu currículo político, não havendo benzina que lhe valha, pois para esquecimento é cedo, salvo se os seus camaradas não se opuserem. É tudo uma questão de pontos de vista.

Pergunta-se:
- Onde está agora o seu socialismo engavetado?
- Onde está o patriotismo de Soares?
- Onde estão os seus valores cívicos?
- Vale tudo?

A honestidade moral é cada vez mais uma exigência de cada cidadão. Façamos por isso. Mas, por favor, não chamem a isto democracia, quando todo o povo atulha as ruas e as praças com militares, professores, funcionários públicos, etc., manifestando-se com ruído. Chamem-lhe desvergonha, desaforo, descaramento, tudo, excepto democracia.

Fernando Vieira de Sá

domingo, 11 de setembro de 2011

LUTA CONTRA A FOME - O HOMEM QUE QUER SER O 1º E ATÉ ELE SE RI (II)


«PERFIL: JOSÉ GRAZIANO DA SILVA» [Diário de Notícias de 23 de Julho de 2011]

Toma-se este trecho resultado de entrevista, telefónica ou equivalente, do jornalista Abel Coelho de Morais à figura, dando-lhe um personalismo só atingido por directa informação que neste caso é flagrante.

Ao reler a peça anterior sobre o mesmo tema fiquei na dúvida do interesse deste acrescento, dado que aí já estava a suficiente prova para julgar a personagem em questão. Contudo e à laia de cereja cristalizada no topo do pudim, lá vai este pequeno remate que enfeita e não molesta, só enoja.
Trata-se assim de uma personalidade cuja fotografia encabeça o texto anterior com o seu próprio semblante, escrevi a propósito de Josué de Castro, o verdadeiro progenitor e primeiro presidente da FAO por razões históricas já comentadas, e que Graziano, das duas uma: ou desconhece a sua existência sem mais escusa, e não sabe o ABC da história em que se quer infiltrar, e sendo assim o Sr. Graziano é um arrivista; ou o Sr. Graziano é um almocreve sem escrúpulos, falseando a história, tudo para se vender como primeiro brasileiro a ocupar a presidência da FAO, não tendo escrúpulos em vender a alma ao diabo.
Não contente com isto, na entrevista (?) lê-se um grande reportório donde se respigam sentenças que são verdadeiros foguetes de artifício mais virados para uma campanha eleitoral, visando qualquer poleiro vago, do que elucidar o indefeso cidadão quanto aos gravíssimos problemas da fome, apontando para a chaga, a mazela sangrenta de uma civilização sem sentimentos humanísticos que não se confundem com a sua experiência marcada pelas suas vitórias sobre a FOME ZERO, a única verdade em termos de extinção mas também quanto ao progresso das verdadeiras fontes de miséria, onde germina o Nó Górdio, fonte da Fome, questão que é, repito, social e de vontade política que não existe.
Conclusão: Graziano vai repetir a experiência de Josué de Castro que resultou em fracasso, se bem que foi uma importante conclusão que não se justifica insistir e assim entreter a fome aos excedentes de população traduzida em desempregados e pedintes, as vítimas da mecanização por um lado, e a inclemência do capitalismo, por outro.
A máquina não se pode tomar como inimiga do Homem, a riqueza produzida exige contemplar todo o cidadão e não conduzir ao monopólio em qualquer dos seus parâmetros, evitando a fome.
A máquina é uma conquista da civilização, e esta não pode ser propriedade do capitalismo feroz e apátrido, mas sim do sangue derramado pelo povo. Recorde-se Aljubarrota.

Fernando Vieira de Sá

sábado, 10 de setembro de 2011

LUTA CONTRA A FOME - O HOMEM QUE QUER SER O 1º E ATÉ ELE SE RI (I)



Este é o segundo brasileiro a ocupar-se, na FAO, da área da luta contra a fome, E que ele diz ser o 1º, mas que o Mundo também sabe que foi Josué de Castro quem sacudiu o Mundo com o seu livro Geografia da Fome, em dois volumes com 450 páginas traduzidas em 114 idiomas, e que ao terminar a Guerra, fundando-se as Nações Unidas e, por sua influência e prestígio a FAO, tendo sido o seu primeiro presidente, conforme se escreve numa das badanas dos dois volumes do seu livro:

«As pesquisas experimentais que realizou deram-lhe extraordinária projeção científica nos meios científicos mundiais, a qual culminou com a sua eleição em 1961 para o alto cargo de Presidente da Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (F.A.O.).»

As esperanças no êxito deste órgão de abrangência mundial eram justificadas, pois ninguém no Mundo poderia ter melhores referências para afrontar o magno problema, inaugurando uma Era de estudo, investigação e experiência, que nunca existiu na luta contra a fome que, aliás, jamais foi pensada antes. Contudo, passados mais de 70 anos de esperança, pelo contrário, nunca houve tanta fome no Mundo, o que prova que o problema tem outras razões que não a aparente escassez de alimentos produzidos. Alguma coisa estava e está errada, voluntária ou não, no exame às causas do fenómeno da Fome Mundial e não só a do nordeste brasileiro que tanto influenciou os seus estudiosos, embora a fome nordestina tenha outro nome chamado desnutrição, com outras implicações, o que não é desconhecido, mas sim ocultado, como tabú perante as forças conservadoras, falando apenas em efeito - a fome - mas jamais da causa - a miséria -, que é a palavra correcta derivada da acumulação da riqueza por efeito de uma política de tendência monopolista, dando origem à riqueza, por um lado, e por outro o assalariado rural e urbano, herdeiros do esclavagismo abolido desde a Antiga Grécia. São vivos os quadros esclavagistas sob a exploração dos roceiros do café, do cacau, do açúcar, etc. nos romances de Jorge Amado tais como Cacau, Terras do Sem Fim, e Gabriela, Cravo e Canela. São trechos que enobrecem pela denúncia, do romancista, e envergonham a civilização que persiste em cultivar o gene do animalismo genético de uma selva capitalista de instintos estropiados.
Apesar dos resultados opostos aos desejáveis, não obstante toda a competência indiscutível e consagrada de Josué de Castro e os meios de trabalho proporcionados pela FAO, Esses resultados foram de alto interesse frente ao esclarecimento retirado da causa profunda que é a miséria, que é de raiz social e opção, isto para Graziano saber.

Perante estes esclarecimentos sobre quem foi o 1º presidente da FAO fica claro: foi Josué de Castro e sem batota.

E para que não fiquem dúvidas passarei agora ao auto-intitulado 1º presidente brasileiro da FAO, de que ele próprio se ri, como se vê na foto... brincalhão.
Num próximo escrito, debruçar-me-ei sobre o auto-intitulado 1º presidente brasileiro da FAO que, pelos vistos, pratica o humor negro, pondo de lado a vergonha, com riso de escárnio, a ver se pega. É triste.


Fernando Vieira de Sá

quarta-feira, 20 de julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

PATRICK FRANCIS KEATING

[Horta - Açores, 30-9-1915 / Porto, 11-7-2011]

Um grande veterinário que desaparece deste mundo aos 95 anos após uma vida profissional brilhante reconhecida fora de fronteiras de Portugal, o que é corrente neste país de sábios e distraídos. Ocorreu a sua morte no dia 11 deste mês de Julho, na cidade do Porto onde vivia, sendo eu informado por sua filha Maria José (Nina), mas logo também por Dra. Manuela Barbosa lembrando-me - por excesso de atenção - ser eu a única pessoa que poderia escrever o seu epitáfio, dado sermos quase da mesma idade. Manuela, por seu lado, além de ter sido amiga de Paddy, é Sócia Agregada da SPCV, e activa, por isso lembrando-se que por via das idades próximas e também a mesma especialidade profissional - Lactologia - só eu poderia encarregar-me desse comentário com rigor, a que eu logo me dispus tomando a tarefa honrosa, se bem que só a idade contou, e logo me lembrei basear-me num texto que escrevi a pedido da revista Holstein (nº 8), datada de 14 de Fevereiro de 1999, e que Paddy registou no seu currículo. Nada melhor poderia eu escrever que superasse o que então escrevi e que agora reproduzo pelo seu grande gesto e bondade me ter honrado ao ponto de incluir em apêndice o meu texto no seu currículo e que a já referida revista publicou.



REVISTA HOLSTEIN Nº 8

Personalidades no Mundo do Leite

Patrick Keating
por
Vieira de Sá

Chegava a Roma depois de umas curtas férias em Lisboa para passar a quadra natalícia e de me haver despedido do Patrick em Sta. Apolónia por regressar ao Porto dando termo a uma forçada deslocação à capital que eu lhe provocara por frustrada boa intenção.
No derradeiro adeus e já debruçado na janela da carruagem, gritava-me ele por entre a hirsuta bigodeira ruiva denunciadora da boa cepa irlandesa que lhe corre nas veias "Olha que eu só te perdoo se me arranjares um lugar na FAO".
Foi o eco dessas palavras que eu meti insensivelmente na minha bagagem e que ainda conservo na memória, quando, dias após, e uma vez mais, deixava Lisboa.
Em Roma, no Q.G. da FAO iniciava os preparativos de partida para a Líbia daí a 15 dias, recolhendo informações do país e desdobrando-me em contactos, na tentativa de que o mundo onde iria cumprir a minha missão me fosse o menos estranho possível.
Tudo corria sem sobressaltos, quando, aí pelo 3º ou 4º dia, o Hans Pedersen, meu chefe, e o mais genuíno dos viquingues, me perguntou: De Sá (assim me chamavam os colegas nórdicos), sabes de algum bom técnico em queijaria espanhol que queira ir para as Honduras? Não, respondi... mas por que é que tem de ser espanhol? Bem, é que nas Honduras fala-se espanhol.
Eu sei, retorqui, mas acho que se for português vem tudo a dar no mesmo e esse conheço. Tens a certeza? Absoluta, afirmei com aquela peremptoriedade que todo o "portuga" assume perante o linguajar cervantino para ele sem segredos.
És capaz de lhe escrever perguntando-lhe se quer aceitar o convite?
Não foi preciso mais nada. Dias depois, o Patrick desembarcava com a sua malinha de cartão no aeroporto de Ciampino, onde estava eu a dar-lhe as boas-vindas com dois abraços daqueles de fazerem gemer o cavername torácico que só resistiu dada a sólida compleição física de ambos.
E, cumpridos os necessários contactos e ajustes, hei-lo rumo às longínquas plagas do Novo Mundo, onde se iria iniciar como técnico internacional, sob o calor e as sensualidades tropicais, por mais de 20 anos recheados de brilhantismo e experiência que lhe valeram sempre a consideração e respeito nunca regateados pelos diversos governos que tiveram a boa sina de o terem como conselheiro e colaborador, assim como da própria FAO.
Patrick Keating foi, e ainda é o nosso primeiro lactologista. Mas para isso para chegar a esses cúmulos de conhecimento ele teve de emigrar, o que de resto acontece a quase todos os portugueses, que se prezam, desde o mais modesto oficinante ao mais destacado pensador.
É que Portugal prefere que lhe falem em "estrangeiro", pois assim não entendendo o que o sujeito lhe diz ou reclama, não tem que o aturar.
Nesta história coube-me a boa aventurança, de primeiro, a absolvição jure et facto, da malandrice que lhe fiz na melhor das intenções, segundo, o facto não menos relevante de ter a oportunidade de contribuir para desenterrar um vivo e bem vivo de um sepulcro onde o inconformista e desventurado Paddy esbracejava contra as mesquinhices e outras coisas terminadas em ices que neste arrabalde da Europa se costumam arremeter contra os que falam alto, fazendo-o com a costumeira inépcia e cobardice q.b.
Ao escrever estas linhas cursivas a propósito de uma inédita e simpática iniciativa da revista Holstein de vir lembrar aos novos algo da arqueologia veterinária, cuja idade dos seus fósseis já quase só é reconhecível pelo carbono 14, não posso pela minha parte deixar em olvido tantos outros qual "ala dos namorados", batendo-se cheios de idealismo (útópico) pela sua dama, nesta conjuntura, o LEITE.»


Foto retirada do meu livro Ecos do México - Da História e da Memória (Moinho de Papel, 2005) a propósito de uma visita a Tegucigalpa com o exclusivo propósito de uma visita ao Paddy para lhe dar um abraço, daqueles que fazem ranger as costelas, desta vez viajando com Maria Elvira vindos de Quito (Equador). Lê-se na legenda: «À frente da casa de Paddy, Tegucigalpa, Honduras. Da esquerda para a direita: Maria Elvira, Bela e Paddy. À frente: Maria José (Nina), filha do casal Keating.»

Neste passo falta agradecer ao meu amigo Guerra, editor do meu blogue, já o sendo dos meus livros de memórias, que ele criou só a preço de amizade, em que se esmera e por isso não faltam elogios sobre a sua apresentação, revelando o seu talento como editor de letras, sejam em papel, sejam na blogosfera.


Fernando Vieira de Sá


Nota de rodapé
- Eu e Paddy tínhamos o mesmo tipo de humor e não foram poucas as vezes em que nos divertimos a criar a confusão em circunstâncias cerimoniosas.
E com todas estas recordações como é que não havia de me sentir abalado até ao âmago da alma?

sábado, 25 de junho de 2011

AINDA UMA NICA SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO

Ouvindo as centenas de comentários via TV dos arautos do sistema em que assenta toda a política de Portugal e da Europa, sem dúvida bem pouco adequada ao país, mas nunca deixando de preparar o cidadão para as dificuldades acrescidas que nos esperam, uma questão que é a mais determinante de todas das que se faz a grande especulação sobre todos os aspectos intrínsecos do seu funcionamento na sociedade e valorização do país, uma questão, repito, que deveria ser a primeira das necessidades e mais determinante no quadro político, económico e social, não se ouviu uma palavra vinda de qualquer lado. É ela relativa à produção de riqueza, sobretudo das indústrias alimentares vindas dos campos abandonados e das costas marinhas - riquezas extraordinárias -, abandonadas, das indústrias metalomecânicas, onde chegámos a ter grande prestígio internacional, os estaleiros navais de construção e reparação muito procurados por estrangeiros, tudo isso tendo sido selvaticamente arrasado, ao ponto de Portugal se encontrar quase totalmente dependente das importações e dos especuladores. Tudo acontecido pelo palpite de «animais políticos», tal qual o seu fundador aconselhado pelo seu sentido de profeta que se quer esquecer.
E agora?
A ruptura existe. Mas, mesmo assim, continua a afirmar-se não haver saída, sabendo-se que existe, mas essa não agrada à grande finança sem pátria que Vasco Gonçalves combateu. Por isso foi abatido raivosamente com a ajuda dos Estados Unidos e do fatídico Carlucci e CIA, sob a bênção do "Animal Político".
A grande finança não foi afectada pela CRISE, pelo contrário, as grandes fortunas crescem diariamente, enquanto os impostos quase levam a medula àqueles que pagam tudo com o desemprego e afogados em impostos. Por outro lado, são os apartamentos mais luxuosos e os automóveis topo de gama que se vendem quando os mais baratos não têm procura.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 23 de Junho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

COMPROMISSO - PASSOS LEVA NOBRE A PRESIDENTE DA AR?

Diário de Notícias, 16 de Junho de 2011

Afinal Nobre não é assim tão nobre e tão independente como quer convencer o Mundo. Pelo contrário, ele quer é mais campo de manobra para alcançar os seus altos projectos pessoais. Por outro lado, Passos e Portas (P. e P.) não são assim tão intangíveis como garantem proceder no seu labor patriótico e partidário. Se houvesse dúvidas quanto à ficção de tais anúncios bastaria analisar o inédito e insólito Caso do homem que só quer ser Presidente da Assembleia da República, pois só aí ele pode esgotar as suas aptidões. E se isso não acontecer, nesse mesmo momento negativo perderá o amor à bicicleta, bate com a porta e vai à vida. Será só ameaça?
Ora, para evitar esse drama nacional perante tão valiosa personalidade, P. e P., os dois Pês, esquecendo ou ignorando os regulamentos da Casa, desfizeram-se em manobras para levar os deputados à «chapelada», confundindo os deputados com mercenários, para lograr tão alto desígnio de levar o independente (?) ao pódio, fazendo isso em paga dos favores que Passos recebeu do dito Nobre quando deu todo o seu empenho como cabeça de lista do PSD em Lisboa, como se tudo isso não fosse uma troca de favores entre compadres. É a tudo isto que se chama independência?
E para concluir: Tudo como dantes. É o mesmo que bater em ferro frio. E são estes ilusionistas (para não dizer a palavra certa - há várias) que vão resolver os gravíssimos problemas que a todos tocam?
A presente foto ilustra esta pequena cena dos reconhecimentos mútuos de empenhos, os compadrios, por mais que se lhes chame independência.
Passos aperta Nobre como uma tenaz, em reconhecimento, segredando-lhe ao ouvido: «Tudo vai sair bem, prometo». Promessa fatídica para ambos.

***


Quando estas palavras forem lidas não podem hoje ser desmentidas, nem ultrapassadas, quanto muito, acrescentadas.

«Todos os caminhos vão dar a Roma»

Aqui o interesse é a foto que não desmente nem nega o que aqui se escreve, pelo contrário, autentica-o.

Conclusão

O que se passou, entretanto todos o sabem, donde se conclui:

1º - que os deputados não são mercenários. As consciências falaram mais alto;
2º - Passos e Nobre fizeram uma triste figura que ficará para a história;
3º - O meu depoimento regista a trapaça e a vergonha que caiu sobre os actores. Se houvesse mais pudor mental, bem poderia evitar-se a borrada com cheiro a esgoto.
4º - Afinal Nobre voltou atrás e lá se foi sentar na cadeira de deputado com muito pouca nobreza.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 22 de Junho de 2011

RETRATO OU RADIOGRAFIA DE UM TRÂNSFUGA?

Documento confirmativo das minhas afirmações retiradas da minha parca memória, mas que nunca esquece o que se mostra escabroso e custa a engolir.

A minha legenda: «Até onde chega o impudor!!!»

Aperto de mão entre dois entes que escreveram história por linhas escabrosas, deixando a moral na gaveta, virando as costas aos seus ideais socialistas (um deles, pelo menos), em stand by por sua própria confissão em tempos de revolução e de exigência moral. Pela foto o portuga está contente com o desempenho. O gringo fez a sua tarefa suja ao serviço da CIA. Era assim que ambos se chamavam (?) na intimidade que o aperto de mão traduz. A fronha do da direita é lamentável. Dá dó e repugnância, que a idade não desculpa. Lembranças que são vómitos fermentados.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 9 de Junho de 2011

sábado, 11 de junho de 2011

VASCO GONÇALVES, UM MARCO NA HISTÓRIA DE PORTUGAL CONTEMPORÂNEO


Recordando o seu falecimento em 11 de Junho de 2005, passando às páginas da história pátria como sendo o 1º vulto do PREC, presidindo a 4 dos 6 governos provisórios (2º - 5º Governos Provisórios: 17/VII/1974 - 12/IX/1975) tantos quantos foram os fossados contra o seu governo, sucedendo-lhe o angustiado Mário Soares, que aqui finalmente iniciaria a sua entrada oficial na governança, inaugurando a Era ainda presente, histórica mas pela negativa.
Comparando estes tempos políticos com os do reinado de D. Maria I, a Piedosa, sucedendo a D. José, melhor dizendo, a Marquês de Pombal, período esse registado na história pátria por VIRADEIRA, pois a dita rainha só se esmerou em repor os tempos anteriores a Pombal, já caducos e indesejáveis, pondo o país na cauda da Europa.
No caso presente toda a luta contra Vasco
Gonçalves baseava-se fundamentalmente na sua luta para evitar a sangria de valores fiduciários e bolsistas e atender a uma política servindo a modernidade da vida nacional, sucedendo-lhe finalmente e com urgência Mário Soares - o animal político, em 1º e 2º governos constitucionais, como primeiro-ministro. E tal como a rainha, o dito primeiro-ministro desatou a desfazer todas as estratégias de protecção ao país contra as matilhas de predadores à esquina. O resultado vem a dar aquilo que Vasco Gonçalves queria a todo o transe evitar. Em pouco tempo, títulos como o que se mostra ao acaso, são tão frequentes como pão para a boca.


Esta é a segunda VIRADEIRA que, tal como a primeira, fez com que o país se expusesse ao saque e o povo a pão e água.

TOTAL:
1ª VIRADEIRA - D. Maria I, a Piedosa

2ª VIRADEIRA - Mário S., o Animal Político



Muito mais se poderia escrever, mas estas poucas palavras são suficientes para prestar a justa homenagem, sempre emotiva, a Vasco Gonçalves, que os ventos que sopram de proa fazem todos os esforços para apagar o nome deste patriota e governante histórico como se nunca tivesse existido.


RESUMINDO:

MARIA acaba o seu reinado em demência;


MÁRIO inaugurou, com os seus governos, a marcha triunfal para a bancarrota e agora assobia para o ar como quem rejeita a paternidade moral e física dos seus fracassados governos.


São duas as perguntas e implícitas respostas:

- Quem fez tudo para evitar a sangria de capitais do país que se perspectivava? - Vasco Gonçalves [positivo]

- Quem inaugurou a marcha triunfal que levou o país às portas da bancarrota? - Mário Soares [negativo]

Notas:

a) - Usa dizer-se «todos foram responsáveis», forma de sacudir a pó à casaca. Em boa verdade, há-os de primeiras águas, fundadores e seguidores, não podendo escamotear-se o cabecilha socialista histórico. Os outros são apenas peões de brega do grande campeador;

b) - A saída para a crise não se resolve com outra crise pendular, mas sim com outro sistema governativo. A evidência mete-se pelos olhos dentro.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 11 de Junho de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

VIOLÊNCIA EM CAUSA SEM QUALQUER PREOCUPAÇÃO DOS POLÍTICOS

Fica para trás mais uma campanha eleitoral que, como sempre, não passa de um preceito eleitoral, o que faz parte dos ritos democráticos e, tal como muitos outros, não passa disso.
Todos os arautos que se perfilam para participar da representação afinam as goelas para se afirmarem perante uma população que já não se sensibiliza com os discursos no entendimento que tudo é como dantes: todos "um contra todos" e "todos contra um". O Presidente da República lá do alto do poleiro pede para não mentirem ao povo incauto. Ele próprio, para não pecar, faz o esforço para não dizer nada, que é o melhor que pode fazer porque se abrir o bico também não adianta nada. A experiência aconselha.
Dentro deste panorama político, quando tudo acaba para o período de reflexão e se vai ao voto já tudo está combinado para que tudo fique na mesma. E assim vai passando o tempo, seguindo os mais sagrados preceitos da democracia, que é o que está em causa.
Dentro deste cenário político, poderia ainda tentar algum dado novo, pelo menos útil, na melhor das hipóteses que seja para introduzir qualquer coisa menos ou nada discutida, embora de pouco interesse e atraente para espectáculo. Contudo, e sendo um assunto da maior preocupação, não houve uma única palavra sobre ele durante a campanha e de todas as forças em campo. Na minha parca opinião o assunto ainda não está politizado e como tal não interessa por não atrair um único voto. Sendo assim, não se pode perder tempo em fantasias.

A violência não tem cor.

A verdade é que na nossa sociedade, no tempo que vivemos, cada vez mais se avolumam preocupações que se revelam em todas as imprensas e literaturas, o fenómeno chamado violência que se traduz em crimes dos mais preocupantes e selvagens que envergonham qualquer sociedade, pois nem nas sociedades mais primitivas se chegou à selvajaria que hoje é informada em qualquer meio de comunicação do mundo, em que Portugal é comparte, no cenário de cada dia. Trata-se do emergente homem novo, que leva à esquizofrenia desenvolvida pela vida humana, sobretudo centros de grandes cidades, cuja vida é sujeita a grande tensão nervosa, levando à doença.
É um assunto para larga discussão. Eu próprio no meu livro Viagem ao Correr da Pena (2004), no Prefácio (página 20 e ss) chamo a atenção para o facto. Dado este grande problema que atinge a sanidade da sociedade de forma trágica, apesar disto, os políticos viram-lhe as costas por ainda não haver reflexão para politizar o problema. O que acontece é que todos se encontram no mesma indiferença e o problema politicamente não dá fruto, isto é: voto. É vergonhoso.

Finalmente: sendo a violência um problema de grande preocupação social, nesta campanha não houve uma frase que fosse de alguma reflexão sobre tão dramático problema, por ser um fenómeno que ainda é olhado como "casos" da vida, quando afinal não é um "caso ou outro", é, sim, um problema dos mais difíceis e preocupantes por se tratar de uma gravíssima patologia.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, 4 de Junho de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

ARTE DE SACUDIR A POEIRA DO CAPOTE

(clicar na imagem para melhorar a leitura)

[A propósito do artigo «Revolução "sem culpas" na degradação da política», da autoria de Manuel Carlos Freire, publicado no Diário de Notícias de 26 de Abril de 2011]

Esta época do ano é rica em evocações de factos e datas, tanto na área religiosa (a Páscoa) na sua melhor crendice, como o 25 de Abril, E, em especial, aproveitando as festas para que uma Alta Autoridade do Estado pendure no cachaço do condecorado a medalha adequada ao feito merecedor do acto para que foi seleccionado e se pôs a jeito. Tudo no mais requintado estilo. Este ano toda a atenção caiu sobre os episódios, uns atrás dos outros: a política governativa; as eleições dos deputados; as troikas (europeia e portuguesa); a crise aterradora instalada; o episódio do patriota que, sem partido nem experiência exigível, declara que só se sente disponível para presidente da Assembleia da República o que afirma com uma lata pacóvia que só suscita dó.
Neste momento tão ardente de opções, contendo o melhor das ideologias que possa servir o cidadão, embora ignorando tudo a respeito do cargo e fazendo tábua rasa daqueles que passam fome e são vítimas do desemprego que, no seu bom entendimento, não passam de desordeiros mandraços ou inadaptados aos modernos conceitos do socialismo pátrio; é essa a leitura feita na sua interpretação. É tempo também de investigar e discutir onde se encontram as raízes mais responsáveis e fundas da crise que, por mais que se gastem galões de lixívia, a nódoa persiste nos livros de história e nas consciências sãs.
Sabe-se, porém, que o nosso país, desde o 25 de Abril, foi palco iluminante no seu arranque revolucionário que aterrorizou os "animais políticos", no caso Mário Soares, ele próprio reprimia em várias ocasiões face à explosão das multidões anónimas, ansiadas, brandindo bandeiras do escudo nacional, apenas glorificando os momentos da vitória da liberdade conseguida. Quadros jamais esquecidos por todos aqueles que presenciaram e participaram esses momentos gloriosos de alegria e irmandade abraçando as tropas revolucionárias, sentindo-se estas honradas pela sua participação nesse tão grande momento. Porém, Soares, por sua própria escrita mostra-se horrorizado com o crescente vulcão humano de pendor popular entupindo ruas, praças e janelas, apavorado, afirma que não foi para isso que, nem o povo, nem a tropa se prestava a uma patuleia à laia de uma Maria da Fonte. E vai daí, no último momento (palavras ditas e já neste espaço escritas) o grande profeta, mandando às urtigas o patriotismo, apunhalando a revolução, servindo-se da conivência do verme Carlucci (homem sinistro da CIA e magarefe de Allende e da democracia chilena) e da embaixada dos EUA e do próprio governo americano que Soares visitou expressamente, dando assim volta à revolução portuguesa com uma intervenção de traição estrangeira, instalando aquela plataforma que deu nascimento a todos os golpes sofridos, dando como resultado a sentença de morte que todos estamos observando e sofrendo, atirando as culpas entre si, e todos silenciando o verdadeiro autor da sentença de morte do Movimento do 25 de Abril. Num tribunal civil e honrado as sentenças teriam outra leitura: traição à pátria (intervenção estrangeira) = prisão perpétua.
Agora vêm os politólogos explicar que há diversos socialismos. Sendo assim, em um deles encaixar-se-á o chuchalismo, o tal que se encontra engavetado para toda a vida.

Bem podem os chuchalismos e outros epigramas fazer por esquecer, pois tudo é vergonhoso do ponto de vista do patriotismo e muitas outras coisas vergonhosas.

Esquecer é o mais prático.

Só o tempo atenua a chaga, ficando a cicatriz indisfarçável, resultado dos muitos socialismos para todos os gostos. Nesse caso teve presença o chuchalismo soarista (patente registada)

Portugal é pátria do fado

E neste sentido, sofre mas não mata, como na tourada "à portuguesa", em que Soares sai da lide e dá a volta ao redondel.

Epílogo

A crise que se discute tem o recorte de todas as crises económicas sofridas e faz parte do conjunto dos fenómenos que substanciam o fim dos impérios. No caso presente o império em causa chama-se "Império do Capitalismo", o mais abrangente de todos os impérios conhecidos, já que não tem fronteiras físicas, nem morais. Neste estado da evolução todas as troikas coincidem no mesmo pendor em que a Europa refina - o capitalismo sofrendo de Alzheimer, passando por crises mais que sabidas que fazem parte do sistema, e que - de crise em crise - chegará ao rompimento.
Tal convulsão agrava-se progressivamente. A prova é a actual que se desenha como a mais grave, longa e alargada e com a convulsão das massas alargada a toda a Europa, chegando a outros continentes.
A História não anda para trás. Entretanto passeia-se já na Lua.

Quem acredita que não haja remédio para acabar com a fome endémica?

Há aqui qualquer veneno mortífero que todos conhecem e que é a força do capitalismo. Está à vista.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, Maio de 2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

O QUE FAZER COM A DESCOBERTA «LONGEVIDADE ACRESCIDA»

Um destes dias, estando em frente à televisão, surgem, num dado momento, 5 ou 6 rostos encarquilhados - homens e mulheres - escorrendo sorrisos de felicidade, seguramente por essa oportunidade de se mostrar ao mundo, coisa que não é para todos e, ainda por cima, de borla e sem truques.
A seguir a este quadro, surge outro de um grupo de investigadores biólogos, anunciando a sua última façanha, nem mais nem menos a descoberta do gene (ou coisa que o valha) do prolongamento da vida humana, certamente com a finalidade de ver chegada a hora de ver acabada a borrada que os políticos impingem, e também pela sua parte, beneficiando dos últimos aperfeiçoamentos da arte de surripiar o cidadão sob a tutela da governação de turno e que tem proporcionado êxitos financeiros sob a orientação de afamados economistas nacionais, sábios em ciências económicas e de alta tecnologia financeira como se vê.
O pior de tudo é que não se sabe bem o que os sábios querem fazer de bem para a sociedade gozar do alargamento conseguido, apesar de que, actualmente, a longevidade, sem a descoberta nascente, tem-se mostrado espectacular não sendo essa longevidade actual substancialmente mais alta do que a vigente no século passado. E mais: sem o milagroso gene, mas sim com o avanço das ciências médicas, sanitárias, higiénicas, etc., de tal maneira positivas que, actualmente, começa a dar dores de cabeça às caixas de reformas e todos os serviços sociais relacionados com os aposentados e aumento dos dependentes pelos grandes avanços que permitem uma maior longevidade que não tem nada que ver com o gene de nova Era e, de tal maneira, que já hoje esse alargamento da vida é um factor de preocupação na existência das caixas de reformas e sistemas sociais para atender ao apoio aos subsidiados ou dependentes idosos e improdutivos.
Por outro lado, alargando a longevidade até satisfazer os sábios e assim outros Nobel, mas mantendo o decréscimo da natalidade - também originado pelo sistema político - só tem agravado as dificuldades ao funcionamento familiar, tanto do ponto de vista doméstico, como cultural, donde resulta a incapacidade da actual orgânica do sistema social de apoio aos obrigatoriamente assistidos.
Deste modo, e partindo das novas descobertas, teremos em breve um Portugal caquéctico, por força do alargamento dos improdutivos e reformados, bem como pela redução progressiva da natalidade. Resultado: um país a cair da tripeça e sem futuro. De resto é a tendência da Europa, aliás já em desenvolvimento acelerado.
Já há mais de 50 ou 70 anos, o Prof. Abel Salazar, no seu livro A Crise da Europa (Biblioteca Cosmos), embora em outras perspectivas, levantava os problemas do envelhecimento da Europa, o que quer dizer que cada vez é mais urgente varrer as mentalidades que actualmente afundam o continente europeu. É isso que se quer?
Para terminar veio-me à ideia sugerir que talvez possamos pedir auxílio ao A.P., afinal o responsável remoto de tudo, em colaboração com Carlucci.

Fernando Vieira de Sá
Lisboa, Abril de 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

UMA POSSE PRESIDENCIAL - TEMPO DE AFIRMAÇÕES DE ALTO NÍVEL

O CASO

«No ano de 1969, em Julho de 1969, o homem chegou à Lua e conseguiu ampliar mais ainda o âmbito da sua imbecilidade, o homem não sabe governar, nem pacificar, nem alimentar a Terra, tão-pouco sabe curar nem prevenir o cancro ou a sida, nessa altura ainda não havia sida, mas acerta com o caminho para a Lua, cada vez é mais dilatado e vergonhoso o horizonte do seu estúpido orgulho.»

Isto lê-se no livro A Cruz de Santo André, de Camilo José Cela (Prémio Nobel da Literatura em 1989), Tradução de José Carlos González, Bibliotex Editor, 2003.

A TRADIÇÃO

Uma posse presidencial na Quaresma, tempo do ano exigindo concentração dedicada aos problemas que a humanidade enfrenta, muito particularmente Portugal, E neste contexto é tempo de meditar sobre uma Posse Presidencial, no caso Cavaco Silva, debitando alguns comentários de circunstância, dada a época do ano no calendário cristão.

Assim:

A CENA

primeiro, extra-muros, nada faltou para o brilhantismo da posse presidencial, ao que se seguiu intra-muros com todo o cerimonial exigível em momentos plenos de reflexão que todos desejávamos ouvir, como seja, aquela esperança que mina a alma de um povo exausto.
Chegado esse momento, o empossado saca do texto que desbobina por cerca de 50 minutos, tudo para dizer que é neutro, charla que se confunde com uma sessão política em tempo de eleições parlamentares, cada um puxando para o seu partido. Daí nasce a confusão, ficando-se sem saber o que o empossado queria exaltar, se o Presidente, se o Governo, alterando o propósito em causa: de que se estava a falar? Daí a catadupa de discussões vindas de todos os quadrantes: todos contra todos, e todos frente à ambiguidade dos alvos a alcançar, ficando na sombra os quadros do brilho das fardas e piruetas da praxe, quando intra-muros só se oferecia chupa-chupas, deixando todos "à rasca".
Muito se poderia especular mas o que é posto à vista e ao ouvido já chega para perceber que assim não se vai lá.
Lá diz o Prémio Nobel de Literatura de 1989, na página 17 da obra citada:

«- Acredita que os crimes se preparam sempre em silêncio?
- Sim, os bons crimes sim, quanto aos outros, que interesse tem? Preparam-se sempre em silêncio, como deve imaginar, e com muita delicada discrição, tanta, que às vezes não se descobre a intenção até ao momento exacto da punhalada ou do veneno, a prudência nunca é demasiada, a prudência é um aliado firme.»

[Nota em 24-III-2011: Se fosse preciso um exemplo, bastava recordar o que se passou recentemente com as trapalhadas do primeiro-ministro José Sócrates, ao levar a Bruxelas propostas em segredo, e as consequências do seu acto. E a história continuou, hoje, um dia depois do chumbo do PEC IV, agora com as trapalhadas do pretendente ao mesmo lugar, que já fala em novos aumentos, mas esconde muito mais do que aí vem].

Sugiro, neste ponto, que se volte ao texto FOME - NÓ GÓRDIO DO PROGRESSO DA CIVILIZAÇÃO, de 27 de Fevereiro de 2010.

CONCLUSÃO

Fome e Capitalismo são antídotos irreversíveis, prova-o a História do Mundo.
A esmola é o ópio da Sociedade, a Vergonha da Civilização, É a má consciência a manifestar a indiferença. Isto numa Europa a cair de caducidade, um museu de velharias fora dos tempos, exigindo outra mentalidade mais arejada, mais uniforme, mais unitária.


Fernando Vieira de Sá
Lisboa, Março 2011

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

MENSAGEM DE UM BOM AMIGO

(para uma melhor leitura, clicar na imagem)


Mensagem natalícia com que o meu bom amigo Celestino Matias, com a sua poética sensibilidade, me presenteou. E que eu agradeço e aqui registo. FVS

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A DEMOCRACIA «FAZ-DE-CONTA»

É de todos nós sabido e constatado que a nossa democracia - e não só - se esgota no acto de votar. Fora isso, a democracia é o que cada um quer que seja, conforme o seu temperamento e modo de estar na vida. E se assim é, e ninguém pode negar honestamente, é fundamental saber a validade certificada dos cadernos eleitorais e a sua respectiva actualização para cada acto - que são vários, como se sabe.
Na verdade, há múltiplas falhas conhecidas e ninguém sabe como o controlo é feito e qual é a sua validade e fiscalização, isto para que tudo isso não passe de mera burocracia ou palhaçada que não passe de intenções, e lá se vai a democracia pela sarjeta abaixo. Não é por acaso que ouvi um votante de gabarito dizer alto e rindo-se: «Venham daí as eleições. Para elas chego eu».
Seria de bom tom saber com clareza como está sendo processado este controlo fundamental, incluindo a fiscalização atempada e quem e como se executa e actualiza.
Ninguém está interessado? Está na hora, ou continuamos sendo uma democracia faz-de-conta, como aliás todas por esse mundo fora, resfolgando democracia por todos os poros ao mesmo tempo que lhes bate à porta um esfomeado pedindo uma côdea de pão.
Seria bom contemplar a questão dos analfabetos que também são cidadãos mas imperfeitos.

Fernando Vieira de Sá

terça-feira, 30 de novembro de 2010

PERGUNTA SEM RESPOSTA


O Diário de Notícias de 25-XI-2010, em azo de comemoração, lembrou-se de ocupar as duas páginas centrais do jornal com o 25 de Novembro, que virou a linha política que se reviu no 25 de Abril. Para isso, em grande destaque, aventa com uma interrogação que põe em dúvida e justifica a charada:

25 de Novembro
E se tivesse sido ao contrário?

Não sendo uma resposta, mas sim um comentário, pressupõe-se que só o profeta ou animal político seria capaz de responder, e mesmo assim com todos os riscos de acertar. Não sendo assim só poderá afirmar-se sem ofensa, mas com piedade, o que todo o bicho-careta pode garantir sem que alguém possa contestar e que é: Resposta - Uma coisa é certa: seguramente não se pode prever pior em todos os sentidos.
O profeta pelos vistos errou magistralmente. Agora sou eu que pergunta: Quem paga o palpite do profeta? Segundo as leis de imprensa a resposta deveria ser publicada nos mesmos modos que a pergunta que, aliás, não tem pés nem cabeça, sabendo-se e sentindo-se que já estamos todos a bater no fundo. O que quer o jornalista que se responda? Ou está a gozar com o pagode? A não ser que se trate de um exemplo de jornalismo humanista.


Fernando Vieira de Sá

domingo, 21 de novembro de 2010

A CIÊNCIA DO DIAGNÓSTICO - A CRISE - A PREVISÃO DO PREVISTO

(clicar na imagem)

Há uns tempos, concretamente dia 13 de Outubro passado, o Diário de Notícias publicava com relevante destaque a notícia da morte de Maurice Allais (1911-2010), cujo cabeçalho ressuma e convida à veneração. Desta notícia releva-se a justificação do Prémio Nobel da Economia (1988) como sendo um dos poucos a prever o crasch (bancarrota) em Wall Street, em 1987.
Não vou discutir o galardão nem as homenagens, mas sim a discordância e a tentativa de querer-se dissociar o fenómeno «crise» do sistema económico em vigor, como se fosse qualquer crise inesperada e pouco ou nada estudada, E com isso escamotear e ignorar antecedentes indesmentíveis, ou fazer-de-conta, macaqueando a história do mundo. Chama-se a isto falta de ética e de pudor.
Com esta canhestra manipulação informativa, duas ocorrências saem da História como artes de saltimbanco, limpando-a de incomodativas ideias, face à tendência oposta tais como: - a ambição do ideal social sempre no sentido da justiça e bem-estar susceptíveis de beneficiar a sociedade, dentro das regras da fraternidade e justiça; - a circunstância do fenómeno «crise» estar profundamente investigado desde Karl Marx (1898) que, pela primeira vez, responsabiliza o sistema capitalista de estar de costas voltadas para a contradição: «A produção é social e a apropriação dos produtos é individual», o que leva a crises que abalaram o Mundo e que estão registadas como abaixo se expõe, permitindo o seu estudo, consequências e outros detalhes de interesse à investigação.

(1) - Fonte: Introdução ao Marxismo, de F. Engels, A. Talheimer, J. Harari e L. Segal, Rio de Janeiro, Editorial Calvino, 1945

Actualmente a tendência continua a registar-se. Nesta conformidade pode conjecturar-se a falência do sistema actual pela excessiva concentração da riqueza, levando à paralisação da troca e defunção do sistema em causa, tal como Marx diagnosticou, investigando cientificamente as causas profundas dos colapsos próprios do regime. Desse facto nasceu o Marxismo, teoria ecuménica de aprofundamento das Ciências Económicas, hoje uma bandeira que as forças tradicionais combatem ferozmente. Marx - não se esqueça - era um investigador nato em ciências económicas, dada a sua preparação académica, sendo economista e doutorado em Filosofia. Marx era, acima de tudo, um investigador social que leva à política e como tal agiu dentro da sua capacidade intelectual e científica. De resto, e querendo não o dizer, mas levado pelo transe discursivo num momento apelativo no encontro de Presidentes da República na TV, Mário Soares, há semanas atrás, afirmou precisamente esse facto, o que espantou todos os telespectadores. Pela minha parte, fiquei atónito, mas do «animal político» espera-se tudo, faz parte da sua flexibilidade estratégica de catavento, timbre do carácter do político em causa. Desta vez deu-lhe o bestunto para a verdade.

Para terminar, e voltando a Maurice Allais, não se percebe assim qual foi a proeza da previsão que o levou ao Prémio. Parece, por vezes, medalhar-se mais o interesse político que se explora, do que a ciência na sua imaculada independência. Não façamos do Nobel uma broa de Natal, como a propósito deste morto repescado como sábio e que neste caso nada descobriu, pois que, como se sabe, tudo já estava descoberto, mas, mesmo assim, «venha-de-lá-um-Nobel!» que é sempre saboroso. Seria mais racional medalhar à data de nascimento já que um morto é sempre um ponto final, enquanto o nascimento é sempre um futuro. Nem tudo lembra nestes transes. E no meio de todas estas efemérides, do problema CRISE nem uma palavra, como se nada tivesse havido, o que tem duas leituras: uma, dar os louros às almas ressuscitadas como neste economista da irmandade certificada; outra, e principalmente, guilhotinar a memória de Marx, cujos estudos levaram ao que veio a designar-se de Marxismo, um novo caminho àquilo que até aí não se pensava haver uma porta alternativa ao sistema capitalista, E quando na Era Moderna existe uma ampla alternativa ao trabalho escravo, sem regalias, hoje amplamente tal força é substituída pela mecanização e energia, tomando o maior esforço da produção. E daí o que se vê: a contradição expressa por Marx e que se repete: «A produção é social e a apropriação dos produtos é individual».

Mas, no nosso caso, nem o sr. Maurício nem os ilustres economistas desta praça, incluindo o bota-abaixo Medina Carreira se atrevem a beliscar a vivência liberal capitalista que só tem produzido borrada atrás de borrada e, não obstante, nunca se discute nem o regime, e muito menos se averiguam as razões das crises. E todos sabem porquê. Está à vista. É assim que democraticamente se ignora o povo. E cá estamos todos para pagar a batota do sistema.
Porque não fazer o diagnóstico, ou seja, procurar a causa profunda como fez Marx? Isto, sem pôr em causa a inexcedível honestidade de quem quer que seja, os seus conhecimentos, a sua ciência, mas não aplicável por pôr em causa o sistema capitalista. E cada vez há mais fome e cada vez há mais desempregados. Seria tempo da aberrante ditadura capitalista deixar a gente honrada viver honestamente, pois a ladroeira até agora só recebeu favores dos economistas distraídos. Basta de ditadura capitalista, a mais desumana das ditaduras como se observa aqui mesmo, e de que maneira. Aqui está uma boa arena para o sr. Medina Carreira exercitar os seus espectáculos televisivos, contra tudo e contra todos. Mas nada, absolutamente nada sobre o diagnóstico das CRISES, nas quais os seus contrapontos também não beliscam por serem da mesma confraria.

PONTOS DE ENCONTRO NA CIÊNCIA DO DIAGNÓSTICO

HIPÓCRATES (460-377 a.C.) está para as Ciências Médicas como MARX (1818-1883) está para o sistema capitalista em jogo.

Ambos, pela primeira vez na História da Humanidade, abriram portas à racionalidade da busca das causas distantes dos distúrbios pela descoberta do diagnóstico, por Hipócrates na Ciência da Medicina, por Karl Marx nas Ciências da Economia.
A utilização do processo diverge: na Medicina, o diagnóstico é prática obrigatória no exercício médico. Não há Medicina sem diagnóstico. E na Economia, quem diagnostica?

A fome espera.
O desemprego desespera.
O medo e a conveniência penalizam a moral e a honra.
E a fome campeia como praga do destino.
Deus dedit, Deus abstulit (2) (Deus m'o deu, Deus m'o tirou). É a Moral. Por exclusão de partes, Marx é o Diabo.

Fernando Vieira de Sá
(2) - Segundo o Dicionário de Moraes, «palavras de Job que se citam como exemplo de resignação».